TRE acabou liberando pesquisa Ibope – o instituto que mais erra no Amazonas

Menos de 24 horas depois de suspender a divulgação dos resultados da pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência Pesquisa e Consultoria Ltda. à disputa ao Governo do Amazonas por estar em desacordo com a legislação eleitoral, o juiz auxiliar do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Ricardo Augusto Sales, voltou atrás e liberou a divulgação dos dados pelo grupo Rede Amazônica de Televisão. (Veja decisão no fim da matéria).

Na ação que suspendeu a divulgação da pesquisa, a coligação Renova Amazonas argumentou que a pesquisa eleitoral estava utilizando dados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, além de dados de 2016 e informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2018.

Na decisão liminar, o juiz afirmou que “uma pesquisa deficiente, viciada e tendenciosa denota verdadeira afronta à isonomia na competição eleitoral, por isso a importância do cumprimento das exigências impostas pela legislação, regras rígidas, dado o poder de influir na vontade do eleitor”.

Mas, ao atender ao pedido de reconsideração ingressado pelo Ibope e pela Rede Amazônica, o juiz disse estar levando em consideração “a longa atuação do Ibope no mercado de pesquisas”. “´É de se acolher as informações apresentadas, em linha com a sua longa atuação no mercado de pesquisa e com a metodologia utilizada pelos grandes institutos, dentre os quais o mesmo se destaca em nível nacional”, disse o juiz Ricardo Augusto Sales ao autorizar a divulgação da pesquisa.

Se é para levar em conta o cenário nacional, vale lembrar que uma pesquisa nacional aponta que o Ibope errou 2 em cada 3 pesquisas realizadas no Brasil feitas nas últimas eleições para Governo do Estado e Senado. É considerado erro quando os resultados oficiais estão fora da margem de erro indicada nas pesquisas.

De acordo com o levantamento da ONG Olho Neles, o Ibope errou as pesquisas em 17 Estados. Isso significa uma taxa de erro de 66,66%. Foram eles: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Em 2014, o Ibope apontou que o senador Eduardo Braga (PMDB) estaria com 51% das intenções de voto, a frente de José Melo (Pros), que teria 35% das intenções de voto, ambos com margem de erro de três pontos percentuais. O Ibope errou. De acordo com o resultado das urnas, Eduardo Braga tinha 43,19% dos votos válidos e José Melo ficou com 43,04% dos votos, no primeiro turno, uma diferença de 0,15% e não 16 pontos percentuais como indicava o Ibope.

Indo mais longe, nas eleições de 2012, durante uma pesquisa de boca de urna, no dia da eleição, o Ibope superestimou a votação dada à senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), segunda colocada. A diferença entre ela e o primeiro colocado, Arthur Virgílio (PSDB), que era de 11 pontos, de acordo com o instituto, acabou chegando a 20 pontos. Arthur Virgílio vai ao segundo turno com 40,56% dos votos válidos.

Naquelas eleições, segundo dados do site Congresso Em Foco, o Ibope errou a boca de urna em 11 capitais.

Na pesquisa realizada pelo Ibope entre os dias 13 e 16 de setembro deste ano e com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, o instituto aponta que o candidato à reeleição, Amazonino Mendes (PDT) tem 30% das intenções de voto. Em seguida vem Wilson Lima (PSC), com 23%; o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), David Almeida (PSB), com 20%; o senador Omar Aziz (PSD), com 14%; e Lucia Antony (PCdoB), com 2%.

O candidato do PSTU, Sidney Cabral, aparece com 1% das intenções de votos e Berg da UGT (PSOL), tem 0% dos votos, segundo dados do Ibope. Os votos brancos/nulos somaram 7% e “Não sabe” totalizam 3%, de acordo com o Instituto.

Decisão IBOPE divulgacao autorizada