Três mulheres são vítimas de estupro por dia no RJ, diz pesquisa da FGV

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A GloboNews teve acesso com exclusividade a uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que traça o perfil das vítimas de estupro e dos agressores. A pesquisa mostra também os números de notificações de atendimento às mulheres em unidades de saúde públicas e privadas.

Três mulheres vítimas de estupro por dia. Uma média que assusta, mas é verdadeira. Nos últimos três anos, foram mais de 4 mil notificações de atendimento feitas por unidades de saúde privadas e públicas ao Ministério da Saúde. O dado faz parte de um levantamento da Diretoria de Análises de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas, que a GloboNews teve acesso com exclusividade. O estudo revela detalhes sobre o perfil das vítimas e dos agressores.

“A maioria dos crimes ocorre dentro da residência da vítima. Cerca de 46% das notificações relatam que o estupro se deu dentro da residência e 41% dos agressores são agressores conhecidos da vítima. Fora o fato de que 19% das notificações relatam que o estupro foi praticado por dois ou mais agressores, afirma a pesquisadora Janaína fernades.

A pesquisa aponta ainda que em 39% dos casos notificados pelos hospitais, as vítimas eram menores de 14 anos de idade. E que mais de um quarto das mulheres estupradas não recebeu qualquer medicação para evitar gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis. Nos dados de segurança pública do Rio, o número de vítimas é ainda maior: de janeiro de 2013 a maio de 2016, as delegacias do estado registraram mais de 18 mil casos de estupro.

Mesmo alarmantes, os números ainda não apontam todos os casos de estupro que acontecem. Isso porque muitas vítimas acabam não buscando ajuda nos hospitais e postos de saúde. Ou até mesmo não prestam queixa nas delegacias, por medo ou constrangimento.

“Nós sabemos que existe subnotificação. O estupro, assim como a violência física contra a mulher são crimes que são extremamente subnotificados. A gente começa a desconfiar disso quando nós comparamos os números da saúde, que são inferiores, aos números da segurança. Mesmo assim, os números da segurança pública existem subnotificações”, acrescenta Janaína Fernades.

Em junho, um crime chocou o Brasil: uma adolescente de 16 anos foi estuprada por um grupo de homens durante mais de 20 horas, na Zona Oeste do Rio. Desacordada, a jovem foi filmada pelos agressores enquanto cometiam o crime. A vítima, com medo, demorou dias até notificar a polícia.

O vídeo, que circulou na internet, gerou revolta. Três suspeitos foram presos. No início da investigação, a defesa da vítima acusou o então delegado titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, Alessandro Thiers, de desrespeitar o caso. Depois de declarações polêmicas, Thiers foi exonerado do cargo e a investigação passou para a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.

A Polícia Civil do Rio já adota novos protocolos para o atendimento às vítimas. Uma destas práticas foi a criação de um núcleo de atendimento específico, só com mulheres, para que a vítima possa se sentir mais à vontade ao prestar depoimento. Nesta quinta-feira (28), mais um núcleo de atendimento foi inaugurado no estado.

“O que nós queremos é isso. É que a mulher fale, para que a gente possa investigar e a gente possa entender toda essa dinâmica que é o nosso papel, como policiais. A gente fazer uma investigação e chegar ao final com o relatório final, e se for o caso, nós prendermos realmente o autor”, conta Márcia Noeli, diretora das Delegacias de Atendimento à Mulher.

Fonte: G1