Trintões entre os jovens, alemães vivem última chance de grande título

kloseA Alemanha finalista da Copa do Mundo de 2014 é marcada pelo talento de jovens como Thomas Müller, Toni Kroos, Mario Götze, Mesut Özil. É uma geração que já tem passado (parte dela esteve no Mundial de 2010), presente e futuro. E que ganha o alicerce de uma turma mais experiente, que vive realidade diferente: clima de despedida em meio à expectativa de não dar adeus sem títulos.

Atletas que já são trintões, ou estão perto disso, têm a última chance de conquistar um título mundial – e uma das últimas de alcançar uma taça relevante pelo país. Eles jamais ganharam uma Copa, tampouco uma Euro, mesmo sendo símbolos dos últimos tempos da Alemanha. São os casos de figuras como Philip Lahm (30 anos), Miroslav Klose (36), Bastian Schweinsteiger (29), Per Mertesacker (29), Lukas Podolski (29), Roman Weidenfeller (33). 

Lahm é um caso emblemático. Esteve nas Copas de 2006 e 2010 e nas Euros de 2008 e 2012. Não foi campeão em nenhuma delas. No último Mundial, caiu nas semifinais para a Espanha. Agora, se insere como ponto de equilíbrio nessa nova geração.

– Chegar à semifinal não pode ser chamado de grande decepção. O que tentei passar como mensagem é que tivemos uma geração de jogadores que estão muito bem no mundo, muito educados, uma geração de jogadores que se desenvolveram com o tempo. Temos a mistura perfeita de diversos jogadores. Não dá para fazer uma previsão. A seleção tem mostrado que nós fomos muito bem na nossa preparação. E se realmente pudermos colher todas as recompensas, não sabemos ainda, mas a oportunidade está aqui. Estamos muito próximos de chegar a esse passo final. Precisamos de foco 100%, depois esperamos levantar o troféu pelo qual batalhamos há tanto tempo – disse o jogador.

Klose é o mais velho do elenco. Já soma quatro Copas do Mundo e 16 gols no currículo pelo torneio – é o maior artilheiro da história do Mundial. Foi testemunha ocular de uma mudança impulsionada pelo fiasco na Euro de 2000, com eliminação ainda na primeira fase. Na Copa de 2002, a Alemanha surpreendeu ao chegar à final, mas a mudança ainda estava por vir. Aos poucos, foram surgindo talentos, e a equipe alcançou as semifinais dos Mundiais de 2006 e 2010 e da Euro de 2012 e a final da Euro de 2008.

Mas sem títulos. É uma geração que sentiu na pele a dor de ser considerada melhor do que os resultados que alcançou. Em 2010, já com Joachim Löw de técnico, encantou ao golear potências como Inglaterra (4 a 1) e Argentina (4 a 0). E agora vê o surgimento de novos talentos.

– Temos jogadores que estão no melhor nível e jogadores jovens, além de outros que ainda não estão no time e que tem um futuro fantástico. Estes jogadores são jovens e podem seguir por muitos anos. Temos potencial para seguir no topo nos próximos anos, incluindo dois ou três jovens para reforçar o time – comentou o treinador.

De qualquer forma, as derrotas servem de experiência. Elas parecem ter moldado uma Alemanha que dá sinais de jamais ter estado tão pronta para um título.

– Temos muitos jogadores que participaram da última Copa e vimos que os jogadores estão mais experientes, e não só no trabalho da seleção. Desde 2005, basicamente nós estamos jogando em alto nível. Mas nos clubes também os jogadores estão em nível excelente, em competições internacionais, como a final da Liga dos Campeões do ano passado. E, claro, isso se vê claramente. A gente vê a mudança individual em cada atleta. Vimos que os talentos realmente melhoraram. Além disso, há a habilidade característica dos alemães, que vai dar um quê de diferença nesse jogo – comentou Schweinsteiger.

A Alemanha não ganha um título mundial há 24 anos. Sua última conquista foi em 1990, quando bateu justamente a Argentina na decisão.

Fonte:GE