TSE investiga PL por uso de candidata laranja para compor cota feminina nas eleições em Tapauá/AM

Foto: TRE

Uma denúncia de que o Partido Liberal (PL) usou uma eleitora para compor a cota feminina como candidata ao cargo de vereadora nas Eleições 2020, no município de Tapauá (distante 448 quilômetros de Manaus), está sendo investigada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com o documento de denúncia apresentado à Justiça pelo Partido Progressista (PP), o PL registrou, em setembro, o nome de onze candidatos, sendo oito homens e três mulheres, porém, os números não atingiam o limite de, pelo menos, 30% da cota feminina por partido. Logo, para solucionar o problema, a mando da Justiça Eleitoral, um candidato teria desistido da candidatura, sendo retirado seu nome e reduzido para 10 o número de candidatos ao total, com 30% composto por mulheres. Com isso, o PL foi autorizado a participar do pleito.

Tudo parecia correr normalmente, até os adversários acharem estranho que uma das candidatas do PL, Elisana Soares, não estava fazendo campanha, não era vista nas ruas pedindo voto e nem havia algum tipo de material de partido em seu nome. Ao analisarem o perfil da candidata em uma rede social, constataram que a mesma não mencionava concorrer ao pleito, usava uma foto de criança no perfil e utilizava a página apenas para registros pessoais.

O caso ficou ainda mais suspeito após as eleições, quando foi consultado o resultado das votações e perceberam que Elisana Soares recebeu um total de zero votos. Ou seja, nem a própria ‘candidata’ votou em nela mesma. Ainda de acordo com o documento de denúncia, Elisana foi procurada para esclarecer os fatos e teria confirmado que nunca teve a intenção de concorrer ao cargo de vereadora, que não recebeu recurso do PL para fazer campanha e que era ‘candidata laranja’ para compor a cota feminina. Um vídeo com Elisana confirmando o fato também foi entregue à Justiça.

Suplente

Mesmo sem receber nenhum voto, Elisana ainda se tornou suplente ao cargo de vereadora no município, o que levou os adversários a acreditarem, ainda mais, na ‘candidatura fake’ apenas para beneficiar os outros candidatos do PL.

Abuso de Poder

A denúncia feita pelo PP alega que o PL agiu com abuso de poder e que, de fato, concorreu às eleições apenas com duas candidatas do sexo feminino, o que infringe a lei eleitoral. E que tal ação induziu o Tribunal Superior Eleitoral ao erro, liberando a participação do partido, mesmo com uma candidata sem intenções ao cargo.

Cassação

O PP pede a cassação de registros ou diplomas de todos os candidatos eleitos pelo PL nas eleições 2020, que teriam se beneficiado da candidatura laranja para conseguir os votos necessários para ocuparem os cargos na Câmara Municipal de Tapauá.