Tu num tá na tropa errada não, capitão!?!? (ver vídeo)

Não é possível que qualquer pessoa não tenha ficado com essa pergunta na mente ao ver os vídeos feitos pelo deputado federal do Amazonas, digital influencer e herói de histórias em quadrinhos, tudo junto embolado, capitão PM Alberto Neto que foi parar lá no Ceará, segundo ele, para lutar pelos direitos a melhores salário e condições de trabalho de seus irmãos de farda cearenses. A paralisação da PM no Ceará atingiu seu oitavo dia nessa terça-feira (25) contabilizando 170 pessoas mortas fruto da violência que se alastrou pelo Estado sem a presença da polícia nas ruas.

Em seu vídeo, ele começa dizendo que está em missão para intermediar o diálogo e um possível acordo entre os policiais militares e o governador do Ceará, Camilo Santana. Até aí tudo bem, palmas pra ele! Mas a única estranheza é como o capitão Alberto Neto foi defender a tropa das bandas de lá do Ceará, enquanto num sobrou pra tropa das bandas de cá do Amazonas, desde que iniciou o mandato federal do capitão em 2019, nem uma defesinha, ou um intermediação junto ao governador Wilson Lima que até prove o contrário tem proximidade política com o capitão, ou sequer um videozinho de um minutinho do digital influencer para influenciar o governador a rever esse negócio de congelar tudo que é salário e sequer pagar data-base dos servidores públicos, entre eles os policiais militares.

Bom lembrar que os policiais do Ceará estão lutando por aumento real de salário de 24%, enquanto os mesmos irmãos de farda e, em grande parte, eleitores do capitão aqui no Amazonas, lutam num é nem por reajuste de salário, mas apenas pela reposição salarial que já chega a 22% . A tropa do Amazonas não tem tido direito sequer as promoções previstas em Lei (na nº 4.044, a chamada Lei dos Praças). E cadê um vídeo denunciando que o governo não está cumprindo a Lei? Nadica de nada!

Mas a coisa fica ainda pior para a tropa do Amazonas sem que apareça nenhum super-herói de plantão para lhe salvar. Segundo informações que chegaram ao Radar, o governo sequer vem fazendo as atas das promoções, como por exemplo a de dezembro do ano passado, que não foi feita.

Sem as atas não há garantia alguma de que o policial vai continuar sendo promovido no tempo certo e ele vai ficar prejudicado no tempo de carreira.

Exatamente por esse motivo, no ano passado, os policiais militares do Amazonas fizeram um ato de protesto às decisões do governo faltando coletivamente ao trabalho. E, na época, o capitão Alberto Neto mudo estava e mudo ficou. Aparecer em manifestações da tropa? Isso nem pensar!

Os policias do Amazonas não invadiram quartéis e ficaram amotinados, não furaram pneus de viaturas, ou quaisquer outros atos que estão acontecendo no Ceará, mas apenas por causa das faltas coletivas os presidentes de associações ou outras entidades representativas dos PMs ou estão sendo processados na Justiça por terrorismo ou estão passando por procedimentos internos, sob o risco de serem expulsos da corporação. E, ao contrário do que acontece no Ceará, não se viu uma manifestação sequer de defesa dessas policiais o Amazonas.