Ucrânia diz ter provas do envolvimento da Rússia em ciberataque

Ação ocorreu na sexta-feira e tirou do ar 70 páginas do governo e de embaixadas

Ucrânia diz ter provas do envolvimento da Rússia em ciberataque

Mensagem deixada nos sites ucranianos atacados – Foto: Reprodução

O governo da Ucrânia disse, neste domingo, ter provas do envolvimento da Rússia em um grande ataque cibernético contra vários sites do governo nesta semana, em um cenário de escalada de tensão entre Kiev e Moscou.

“Até o dia de hoje, todas as provas indicam que a Rússia está por trás do ciberataque”, afirmou o Departamento ucraniano de Transformação Digital em um comunicado.

Essa sabotagem “é a manifestação da guerra híbrida que a Rússia mantém na Ucrânia desde 2014”, afirmou o órgão oficial.

Seu objetivo “não é apenas intimidar a sociedade”, mas também “desestabilizar a situação na Ucrânia (…), minando a confiança dos ucranianos quanto a seu poder”, acrescentou.

O ciberataque aconteceu na madrugada de sexta-feira e teve como alvo sites de vários ministérios ucranianos, que ficaram inacessíveis por várias horas.

O episódio ocorreu em meio a crescentes tensões entre a Rússia e a Ucrânia, com Kiev e seus aliados ocidentais acusando Moscou de enviar tropas para sua fronteira para uma eventual invasão.

Desde 2014, a Ucrânia sofre uma guerra no Leste do país entre as forças de Kiev e os separatistas pró-russos, dos quais o Kremlin é considerado o patrocinador militar e financeiro. O conflito eclodiu após a anexação da Península da Crimeia, por parte da Rússia, naquele mesmo ano.

Ciberataque

O grande ciberataque que tirou do ar até 70 páginas do governo e de embaixadas nesta sexta-feira. Os sites passaram a reproduzir mensagens afirmando que o povo ucraniano deve “ter medo e se preparar para o pior”, enquanto a Rússia divulgava imagens mostrando um possível aumento da sua presença militar na fronteira entre os dois países.

A mensagem dos hackers, escrita em ucraniano, russo e polonês, reproduzia a bandeira ucraniana e o mapa do país riscados nas páginas dos Ministérios da Educação e das Relações Exteriores, por exemplo, e no principal portal de serviços on-line do governo, o Diia. Também havia referências a “terras históricas” e a acusações antigas de Moscou de que a Ucrânia é prisioneira de grupos nacionalistas de extrema direita.

“Ucranianos! Todos os seus dados pessoais foram postos na internet”, dizia a mensagem. “Todos os dados no seu computador estão sendo destruídos. Toda a informação sobre você se tornou pública. Tenha medo e espere o pior.”