Um debate em que a confusão nas regras provocou uma confusão esclarecedora nos discursos

Debate-2014 2

Até acho que as regras utilizadas pela direção da TV Band para o debate entre os candidatos ao Governo do Estado, realizado na noite desta quinta-feira (28) poderiam ter sido melhor avaliadas, prevendo por exemplo, que a existência de um número ímpar de candidatos (5) iria acarretar que um deles sempre ficaria sobrando na hora de questionamentos feitos de um para outro. Mas, acabei chegando a conclusão que esse é mais um daqueles casos, onde o que começa errado termina dando certo. Não sei se essa minha dedução é fruto de uma natural inquietação que o passar dos anos não conseguiu anular, o que faz com que tenha uma certa aversão a coisas muito  pré-determinadas, burocráticas, o que a gente chama popularmente de coisa certinha – até gente muito certinha eu acho chata pra caramba e ainda por cima, quando você vai ver, não é nada daquilo que aparenta ser.

Os confusos

Mas, voltando a falar sobre o debate, na minha opinião, achei que a confusão que se instalou de vez em quando por causa de incerteza nas normas, acabou foi deixando claro que tinha candidato em total confusão mental, com discurso sem raciocínio lógico, vazio, esquisito mesmo. Esse foi o caso, pra mim,  de dois candidatos, um deles, o governador professor José Melo (PROS), com uma gagueira estranha, por vezes, sem conseguir elaborar um resposta com começo, meio e fim, e ainda tropeçando no português, como no caso de energia “aeólica”, que na verdade se chama “eólica” (energia gerada por aerogeradores, moinhos de vento).

Melo só conseguiu ser melhor, ou menos pior, do que o candidato do PSOL, Abel Alves, que além de prolixo (falava muito mas não esclarecia quase nada), por vezes parava de falar, fazendo o que a gente chama aqui de cara de paisagem, como se estivesse pensando no que dizer, e quando decidia falar tinha terminado o tempo, cortavam o microfone e ele nem terminava a frase. Hilário né gente?   E ainda tinha o fato de que lhe perguntavam uma coisa e ele respondia outra, como no caso das perguntas dos jornalistas, quando era pra responder sobre formação de mão de obra especializada do trabalhador local para servir ao Distrito Industrial, e ele desembestou por um discurso sobre o Estado ser dependente da Zona Franca de Manaus e a necessidade de se ter expandido para o interior do Amazonas a industrialização advinda com a ZFM. Pensamento desconexo, né gente?

E o discurso confuso chegou a ser cômico, porque além de não responder a pergunta, Abel Alves ainda atacou os adversários dizendo que “eles ficavam trocando ofensas, ao invés de responderem as perguntas”. Pode uma coisa dessas, gente?

O zangado

Já o “candidato da Marina”, expressão usada várias vezes pelo deputado estadual e candidato Marcelo Ramos (PSB) para se autodefinir deveria ter tomado cuidado com duas coisas, a primeira delas é exatamente ficar unindo sua imagem a presidenciável Marina Silva que pode estar subindo nas pesquisas de intenção de voto em nível nacional, mas não é muito bem vista por essas bandas já que, basta uma conversa em qualquer boteco, pra alguém lembrar da sanha da ex-ministra contra a reabertura da BR-319. E, se o cidadão que estiver falando ainda for daqueles que conhece a situação de miséria absoluta que foi imposta a agricultores daquela região pela falta da reabertura dessa estrada, aí é melhor eu nem dizer os palavrões quem são ditos para definir a nobre ecologista e presidenciável.

A segunda coisa tem a ver com uma frase que minha véia mãe cabocla sábia dizia: “a raiva é a pior de todas as conselheiras”. Uma visível raiva fez Marcelo Ramos enveredar por uma seara perigosa ao apontar de dedo em riste para Melo e Braga e lembrar que, até pouco tempo, os dois eram aliados. Saiu incólume da situação porque os citados adversários não lembraram para Marcelo Ramos que só em março desse ano é que seu partido, o PSB, foi se retirar do Governo Dilma e ver que era oposição, depois de “comer no mesmo prato” do PT desde os governos passados de Lula

O que se viu ontem foi um Marcelo Ramos muito diferente daquele do plenário da Assembleia Legislativa do Estado. Lá, apesar de ser um dos três deputados da miúda bancada de oposição, Marcelo Ramos se movimenta com desenvoltura junto a maioria quase absoluta da situação, com trato refinado, e um discurso da tribuna, técnico sem ser esnobe, critico sem ser ofensivo. Não foi esse Marcelo Ramos que esteve ontem no debate, assumindo um tom raivoso, onde na ânsia de atacar Melo e Braga, esqueceu de fazer o seu melhor, aqueles discursos cheios de informações e propostas que fazem todo mundo na ALE calar a boca e prestar atenção.

Os preparados

Já o candidato Eduardo Braga, com anos de política e várias eleições nas costas, parece ter ficado melhor com a experiência de Senado Federal. Em anos e debates anteriores, Braga parecia ser mais fácil de se irritar com ataques de adversários e aí perdia o equilíbio tão necessário para uma discussão política civilizada. No Senado, e como líder do Governo, parece ter se acostumado mais a conviver com os contrários e manter a calma mesmo diante do fogo cruzado. Foi bem! Não se deixou irritar com os ataques desferidos pelos adversários, usando o confronto para falar do que já tinha feito e do que pretendia fazer e, destroçando seu principal adversário, o governador José Melo, con situações como a de que o Governo de Omar e dele (Melo) teve um aumento de quase R$ 20 bilhões de arrecadação as custas do aumento da alíquota de ICMS da cesta básica de 1% , percentual praticado durante sua administração (de Braga), para 17% , o que fez aumentar o preço de alimentos básicos como arroz, feijão e até a farinha.

E a surpresa ficou por conta de Chico Preto que usou todo o tempo disponível para esclarecer propostas do seu Governo, disse que não estava ali para trocar acusações e cumpriu o que disse, e principalmente fez uma apresentação e uma despedida fabulosas, cheias de impressões que o humanizaram como politico, e espertamente fazendo uso de uma técnica eleitoral que lida com a insatisfação popular e com a reptição de uma palavra. Em sua despedida, Chico Preto foi relacionando tudo que está errado nas áreas da administração pública e dizendo que quem não estivesse satisfeito votasse nele, repetindo seu número o tempo todo, repetição que leva a indução do pensamento. Espertinho, né gente? (Any Margareth)