Um lugar pra onde eu queria mandar os homens que querem guerra

Se você pensou que eu queria mandar os caras que vivem querendo guerra pra pqp, se enganou apenas em parte, pois quantas vezes já não os mandei em pensamento e até palavras exatamente pra esse lugar. Mas, dessa vez, o destino para qual gostaria de mandar esses espécimes sequelados que se alimentam de sentimentos mesquinhos, como prepotência, arrogância e ódio, é um lugar onde estive nesse final de semana e que fica bem aqui perto de nós, no interior do Amazonas, atravessando a ponte Jornalista Phelippe Daou e percorrendo cerca de 200 quilômetros, primeiro pela AM-070, rodovia Manoel Urbano e depois a AM 352 que leva ao município de Novo Airão.

Apesar de já ter percorrido os municípios do interior do Amazonas como jornalista e em comitivas de políticos para os quais trabalhei, dessa vez foi tudo muito diferente. Talvez por não estar a trabalho, portanto com a mente mais livre, a sensibilidade mais aguçada e o coração mais aberto pras emoções, vários foram sentimentos sentidos e inúmeras as lições de vida aprendidas em apenas dois dias. Apesar de ser uma vivência particular, me senti na obrigação de dividir essa experiência com os internautas que acompanhar o Radar.

Vale contar que teve um questionamento que não me saiu da cabeça: será que as emoções que se sente por lá não seriam capazes de mudar, nem que fosse um pouco, esses homens que se sentem maior do que tudo e todos, por isso vivem de promover guerras e destruição?

Num barco, percorrendo o arquipélago de Anavilhana chega a apertar o peito o sentimento de pequenez diante da imensidão do rio e da floresta. Tem horas que todo aquele cenário é tão mágico que todos os elementos da natureza parecem se misturar, as nuvens no céu são vistas no rio e as árvores parecem tocar no céu. Você se sente um pequeno pontinho no meio de um “universo” milhares de vezes superior em todos os sentidos, não só nas dimensões, mas nos perigos que traz consigo. E os megalomaníacos “donos” do mundo, será que não conseguiriam enxergar seus verdadeiros tamanhos, que são anões e não gigantes?

Naquele lugar você não é o predador, mas sim a presa. Jacarés e sucuris estão em casa, enquanto você é um intruso que poderia facilmente ser derrotado. E, de repente, você entra num braço de rio, semelhante a uma “estrada de água” que parece não ter fim, com espécies de “muros” formados por árvores imensas e vem um sentimento de medo do inesperado, de não saber se chegamos ao fim da “estrada” ou se podemos nos perder naquele caminho. Será que os senhores da guerra, não veriam como não são nada, nem grandes e nem poderosos, já que naquele lugar somente um simples caboclo conhece os caminhos da floresta?, fiquei matutando.

E essa mesma gente de lá que conhece os caminhos da floresta, também conhece os corações dos verdadeiros donos daquele lugar. Os botos, por exemplo, estão livres para ir embora se quiserem mais sempre voltam, porque amor prende tanto gente quanto bicho, sem precisar de prisões e correntes – sem contar com uns petiscos gostosos porque até eles também são pegos pela barriga, né mesmo? Será que os poderosos do planeta aprenderiam que amor “domina” sem escravizar?

E essa mesma natureza que te diminui de tamanho, que impõe perigos, que confronta poderosos, que chega a dar medo e te ensina o poder do amor, também dá um sentimento de grandeza quando oferece um por do sol que mais parece uma pintura feita especialmente pra quem faz parte daquele momento. E não sei se era só eu que estava sentindo como se nenhum problema tivesse mais importância, me bastava o rubor do sol pintando o céu, o cheiro de flor que vinha de algum lugar da mata, a brisa do rio e o embalo do barco, deixando o corpo mole e dando um enorme sentimento de paz.

E fiquei me perguntando: será que essa paz não invadiria os senhores das guerras também?