Uma confusa história de polícia e justiça

Alan Santos/Presidência da República/Divulgação

É muito estranho quando estou vendo o noticiário na TV e lá vem um jornalista falando da investigação sobre a “tentativa do presidente Jair Bolsonaro em intervir na Polícia Federal”. E lá me vem à mente, repetidas vezes, as mesmas perguntas: como assim “tentativa”? Mas o presidente, de uma forma ou de outra, num conseguiu o que queria? Afinal, foi trocado o superintendente da PF do Rio de Janeiro, exatamente como Messias Bolsonaro queria. O presidente também se livrou do diretor-geral do órgão e até do ministro Sérgio Moro. É no mínimo esquisito, chamar isso de “tentativa” já que Bolsonaro materializou todos os seus desejos de mudança em se tratando de Polícia Federal. E isso não deixa claro a interferência?, questiono de novo.

Mas, atualmente, vivemos dias confusos em todos os sentidos. É só notar o quanto é esquisito – pra não dizer expressão bem pior – um procurador-geral da República, no caso em questão é Augusto Aras, o órgão que é o fiscal da Lei, querer o arquivamento de uma investigação sobre uma organização criminosa que vem atuando há tempos no Brasil, com a disseminação de noticias falsas com o objetivo de perseguir e destruir moralmente pessoas.

Não menos esquisito é um ministro da Justiça, no caso André Mendonça, se prestar a atuar como se fosse advogado para outro ministro do governo, Abraham Weintraub, aquele bocudo que chamou os ministros do STF de vagabundos e falou sobre colocá-los na cadeia.

E, a cada dia no Brasil, a situação vai ficando mais complicada, com valores invertidos, funções desrespeitadas, justiça combalida e uma dúvida atroz de como continuar acreditando no combate aos grupos criminosos com tanta interferência política e interesses pessoais nessa história.