Uma história confusa de bandidos e mocinhos

Eu pensei que jamais teria que passar por isso de novo! Mas, fui obrigada a reviver o primeiro dia do ano de 2017. Sentir o estômago embrulhar de ver tantos homens mortos e ainda ver gente nas redes sociais se alegrar com isso. Pode gente, alguém dizer: Graças a Deus, já foram tarde!  O que será que Deus pensa disso?, fico a matutar. Essa é a mesma turma que num abre a boca sem falar em Jesus a cada frase, o mesmo Jesus que dizia pra dar a outra face e que se fez homem pra morrer por essa gente – fico aqui pensando se valeu a pena o sacrifício Jesus! Será que esses são os mocinhos dessa história?

Essa mesma gente fala que “bandido bom é bandido morto”, não importa o erro que tenha cometido, o roubo de um celular ou um estupro! É tudo bandido e ponto final, dizem os mocinhos que, às escondidas fazem coisas até piores, mas não vão presos porque são “gente de bem”. Crime pra eles é esperteza, é aproveitar oportunidade de se dar bem.

Nesses últimos dias, tive que sentir a dor das mães, já que sou uma também e sei que amor de mãe não tem explicação e nem medida. Mas pros mocinhos dessa história, essas mulheres não são mães de ninguém. Para os justiceiros de plantão, só eles são filhos de alguém. Esses foram dias pra sentir raiva! – Deus me perdoe por sentir isso!

Mas esses mesmos justiceiros falam baixinho, chamam de doutor e são calmos como donzelas diante de alguém a quem chamam de “autoridade”. Num importa se a autoridade, por exemplo, recebeu dinheiro pra campanha política exatamente dessas empresas que ganham milhões dos cofres públicos pra “administrar” presídios e tratar homens como mercadoria. Em 2017, o Radar descobriu que Melo e sua trupe de deputados recebeu dinheiro da Umanizzare pra campanha política. Para os mocinhos dessa história, os bandidos estão dentro da cadeia e não aqui fora.

Esses últimos dias, foram para reviver velhas histórias, onde é difícil identificar quem é bandido e quem é mocinho. Será que é tudo farinha do mesmo saco?