Uma semana em que a violência atingiu o limite do insuportável no Amazonas

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De repente, as estatísticas de queda da violência divulgadas rotineiramente pela Secretaria de Segurança do Estado (SSP/AM) pararam de ser alardeadas pelos comandantes da polícia do Estado. Também já não dava mais pra ficar falando de diminuição dos índices de criminalidade, numa semana em casos de violência deixaram bem visível a fragilidade do sistema de segurança pública.

Na segunda-feira, a violência explodiu no interior do estado. Em Apuí, quatro homens fortemente armados assaltaram uma agência do Bradesco, levando quatrocentos mil reais em dinheiro. Na fuga, os criminosos levaram vinte reféns na carroceria de uma picape. Todos foram liberados momentos mais tarde, mas, até agora, a polícia não tem pistas dos assaltantes.

Ainda na segunda-feira, uma rebelião no presídio de Parintins acabou com o saldo de um morto decapitado. Com o presídio destruído, os 155 detentos ficaram alojados em uma escola de Parintins, o que gerou revolta na população local, que exigiu a transferência de todos os presos.

Na terça-feira, o segurança do deputado Chico Preto, o sargento PM José Claudio Marques da Silva, o Cajú, foi friamente assassinado durante assalto em frente à sede do PMN. Dois homens em uma motocicleta praticaram o latrocínio. A ação foi toda filmada por câmeras de segurança e logo ganhou as redes sociais e telejornais locais. As fortes imagens do crime deixaram a população estarrecida pela ousadia dos bandidos e amedrontada com a onda de violência que toma o Amazonas.

Sob a justificativa de conter a ação desenfreada dos criminosos, na quarta-feira, o governador José Melo fez mudanças no comando-geral da Polícia Militar, substituindo o coronel Almir David pelo coronel Eliézio Almeida. Para subcomandante-geral, foi nomeado o coronel Aroldo Ribeiro, que é réu no processo do Caso Fred.Nos corredores do comando da PM se fala que o motivo do governador ter feito mudanças no comando nada tem a ver com preocupação com o aumento da violência, mas sim em manter o controle nos quartéis para não insatisfazer muitos dos seus cabos eleitorais que estão dentro da corporação.

A mudança causou tanta revolta na tropa que vários oficiais entregaram seus comandos, enquanto outros foram exonerados por demonstrarem seu descontentamento. Há o indicativo de que outros oficiais deverão entregar seus comandos nos próximos dias.

Na tarde de quarta-feira, quatro oficiais ex-comandantes de tropas anunciaram dar uma entrevista coletiva à imprensa local para falar da situação caótica nos comandos da PM, irregularidades, ilegalidades e ações equivocadas do comando-geral que estão fazendo os índices da violência no Amazonas dispararem.

No dia seguinte, os quatro oficiais (o major Wilmar Tabaiares, ex-comandante do Batalhão Ambiental, o major Herlon Gomes, ex-comandante 24ª CICOM, o major Juan Pablo Morrilas, ex-comandante da 1ª CICOM, e o tenente-coronel Fabiano Bó (ex-comandante da Companhia de Policiamento Especializado) cancelaram o encontro com os jornalistas porque tiveram a informação que o Comando-Geral estava preparado para prender todos os insatisfeitos da corporação que participassem da entrevista coletiva.

Até o momento, nem o novo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Eliézio Almeida, nem o secretário de Estado de Segurança, coronel Paulo Roberto Vital, e nem o governador do Estado, José Melo, se pronunciaram sobre o aumento nos índices de violência no Amazonas.