Umanizzare obriga agentes penitenciários a assinarem termo de confidencialidade

A Umanizzare Gestão Prisional, empresa que virou notícia nacional e internacional pela carnificina que deixou acontecer nos presídios do Amazonas, porém recebe mais de R$ 500 milhões por ano para cuidar de cerca de 10 mil presos do sistema carcerário do Amazonas, faz mais um dos seus absurdos. A Umanizzare obrigou todos os agentes a assinarem um termo de confidencialidade, declarando que não poderiam falar nada sobre a situação degradante que estão trabalhando e nem os descasos da empresa com a gestão das penitenciárias, sob pena de demissão por justa causa.

A informação foi dada por uma fonte do Radar que trabalhou para a Umanizzare, e preferiu não ter o nome revelado para não sofrer represarias, já que ainda tem uma ação trabalhista na justiça contra a empresa. Segundo ele, essa é mais uma forma que a Umanizzare, uma das empresas que chegou a cifra dos bilhões  de faturamento com o ex-governador José Melo (Pros), tem de oprimir seus funcionários.

O Radar teve acesso ao termo de confidencialidade da Umanizzare e constatou que os funcionários não podem falar nada do que acontece dentro das unidades prisionais e tudo que envolve a empresa. Ou seja, é uma maneira formal e documentada de dizer que eles estão ameaçando os funcionários. (Documento no fim da matéria)

“Isso é ditadura agora só pelo que li está demais. Quer dizer que não se pode nem mais reclamar dos seus direitos e reclamar que come comida estragada, ou se a rota for atacada por ex-detentos e até familiares de detentos. O jeito é morrer calado. E se o problema for dentro da unidade isso é confidencial não pode vazar, tem que apanhar calado. Isso é um absurdo”, disse a fonte.

De acordo com a fonte, nenhum funcionário pode falar com as autoridades e denunciar o que acontece nas unidades de detenção onde prestam serviço. A fonte disse ainda que o sindicato que representa os agentes penitenciários fez denúncias ao Ministério Público Estadual (MP-AM) e Ministério Público do Trabalho (MPT), mas não houve nenhuma iniciativa desses órgãos em favor dos agentes.

Segundo a fonte, quando os órgãos de fiscalização fizeram visitas nas unidades prisionais, a Umanizzare disfarçou agentes e ‘maquiou’ as celas para enganar tanto o MP quanto o MPT. “O Ministério do Trabalho pediu que um agente acompanhasse a visita para explicar a situação que os funcionários estavam, mas não adiantou, porque a empresa vestiu o advogado de agente penitenciário para enganar eles”, disse a fonte ao comentar “Ou eles não viram nada ou a Umanizzare deu um jeitinho para eles fecharem os olhos”.