União Europeia abre investigação sobre fusão Boeing-Embraer

Bruxelas e Washington continuam travando sua batalha aérea. A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) decidiu nesta sexta-feira iniciar uma investigação aprofundada sobre a fusão da norte-americana Boeing com a brasileira Embraer, dado o risco de que a operação possa “reduzir a concorrência” no mercado de aeronaves comerciais. A decisão sai apenas dois dias depois de os Estados Unidos anunciarem sanções como parte do litígio cruzado que mantém com a UE pelas subvenções à Boeing e à Airbus. Fontes comunitárias, entretanto, desvincularam os dois episódios.

A comissária (ministra) de Concorrência da UE, Margrethe Vestager, decidiu questionar de forma aprofundada o impacto para o mercado da fusão entre a Boeing e a Embraer. A operação, que se for concretizada resultará numa empresa avaliada em mais de 17 bilhões de reais, foi comunicada a Bruxelas em 30 de agosto. Fontes comunitárias disseram que este passo à frente se deve a uma questão de prazos e o desvincularam do conflito desatado pela decisão da Administração de Donald Trump — avalizada pela Organização Mundial do Comércio  de aplicar tarifas num valor de 7,5 bilhões de dólares sobre produtos europeus como contrapartida pelas subvenções de Governos europeus à Airbus, principal concorrente da Boeing.

Depois de um exame preliminar, a área de Concorrência da Comissão constatou que a fusão eliminará o terceiro maior fabricante mundial de aviões comerciais, num mercado que já é “altamente concentrado”, segundo um comunicado. Apesar da pujança de suas indústrias, Bruxelas acredita que, em médio prazo (de cinco a dez anos), China, Japão e Rússia ainda não serão capazes de “superar as barreiras de entrada” nesse negócio, razão pela qual o desaparecimento da Embraer do tabuleiro mundial pode “gerar preços mais altos e menos opções”.

O departamento de Vestager observa que os problemas de concorrência se dariam em especial em dois mercados: o dos aviões de corredor único, de 100 a 150 lugares, e das aeronaves médias, de 100 a 225 assentos. Apesar da concorrência da europeia Airbus, a Comissão acredita que, no primeiro caso, Boeing e Embraer têm uma oferta que aponta para a mesma demanda e clientes; no segundo, considera que a transação “pode eliminar uma força competitiva pequena, mas importante, do mercado geral de corredor único”. Segundo a Comissão, as companhias não quiseram fazer nenhuma concessão diante dessas duas preocupações das autoridades comunitárias de Concorrência.

A operação planejada supõe fundir a Boeing, um dos dois principais fabricantes de aviões comerciais do mundo, com a Embraer, líder em aeronaves regionais. Em nota, Vestager justificou a abertura da investigação pela necessidade de assegurar que “as fusões” nesse mercado “não reduzem significativamente a concorrência efetiva em preços e desenvolvimento de produtos”. A Comissão conta, a partir de agora, com 90 dias úteis (até 20 de fevereiro de 2020) para autorizar ou vetar a operação, que também está sendo examinada por outras autoridades de concorrência.