Universidade de MG já recebeu R$ 72,6 milhões dos cofres do Amazonas; Wilson pagará mais R$ 14,3 milhões

Com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) passando por um verdadeiro desmonte, após o bloqueio de R$ 38 milhões feito pelo governo do presidente Jair Messias Bolsonaro e com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) passando por sérios problemas estruturais em todo o Estado por causa de baixos investimentos, o ensino superior no Amazonas leva mais um “golpe” , tanto financeiro quanto moral. Desconsiderando a capacidade intelectual e a experiência na formação de gerações de estudantes de ensino superior das universidades que existem no Amazonas – e cadê os técnicos em qualidade de ensino da Seduc? -, o Governo de Wilson Lima decidiu investir o dinheiro dos cofres públicos do Amazonas, através da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), em uma universidade de Minas Gerais, que fica na cidade de Juiz de Fora (UFJF) que vai receber R$ 14,3 milhões para avaliar o desempenho educacional dos nossos estudantes.

E enquanto uma universidade de fora ganha milhões, o ensino superior do Amazonas está sucateado, prova disso é a Cidade Universitária que já consumiu, segundo investigações do Ministério Público do Estado (MPE-AM), R$ 124, 2 milhões e não ficou pronto para servir aos estudantes do Amazonas.

E o “governo do novo” decidiu fazer igual ou pior que os governos passados, já que em cinco anos saíram dos cofres públicos do Amazonas R$ 72,6 milhões para pagar a Universidade Federal de Juiz de Fora para aplicar a tal avaliação do Ensino aos nossos estudantes nos anos de 2011, 2012, 2013, 2014, 2016, segundo dados disponíveis no Portal da Transparência do Governo. (Veja os valores pagos por ano, no fim da matéria)

A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) recebeu essa soma milionária do Governo do Amazonas para comandar o Sistema de Avaliação do Desempenho Educacional do Amazonas (SADEAM). O sistema foi criado em 2008 e tem como objetivo avaliar a rede pública de Ensino a partir de testes – provas de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza – para contribuir com a oferta de um ensino de qualidade. Em linhas gerais, a universidade recebe para realizar uma espécie de “Enem” apenas com os estudantes no Amazonas.

Em 2015, a Universidade Federal de Juiz de Fora recebeu do Amazonas R$ 7,6 milhões para prestar os “serviços técnicos especializados para realização de Curso de Formação em Serviço nos anos de 2014, 2015 e 2016 para os 2.532 servidores da Carreira Docente, a partir da nomeação do concurso da Seduc, em 2011”. Nada contra uma instituição de ensino superior seja ela de que Estado for, mas será que no Amazonas não havia ninguém capaz de aplicar a avaliação ou treinar os servidores nomeados após o concurso público?

Neste ano, os R$ 14,3 milhões que serão pagos à UFJF saíram do empréstimo nº 2992/OC-BR, no valor de mais 151 milhões de dólares- o que corresponde a mais de 604 milhões de reais – entre o Governo do Amazonas e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ou seja, o governo faz empréstimo para pagar uma instituição de ensino de outro Estado e o povo do Amazonas paga a conta. (Veja empréstimo no final da matéria)

Já o despacho de contratação da UFJF foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) do último dia 12, disponibilizado para consulta pública na noite dessa quinta-feira (15), mas o contrato ainda não está no Portal da Transparência do Governo do Amazonas. (Veja o contrato no fim da matéria)

Mestrado – Desde pelo menos 2014, época do governador cassado por corrupção eleitoral e preso por desvios de recursos da saúde pública – a UFJF também ofertava cursos de Mestrado em Gestão e Avaliação da Educação Pública para os professores da Seduc.

Coincidentemente – será meu povo? – entre os formados pela Universidade Federal de Juiz de Fora está o ex-secretário de Estado de Educação do Amazonas, Rossieli Soares, como cita ele próprio em seu currículo na sua página oficial do Facebook. Vale lembrar que Rossieli Soares comandou a Seduc de 2012 a 2016, época em que a UFJF também recebia do Governo. Hoje, Rossieli Soares é secretário de Educação de São Paulo.

Valores pagamentos do Site Transparência 

Despacho de homologação com a UFJF

Contrato BIRD

Currículo do Facebook de Rossieli Soares