Vacina da Pfizer funciona contra 3 variantes do coronavírus, diz estudo

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Uma pesquisa publicada na revista Nature Medicine, mostra que a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer com a BioNTech conseguiu neutralizar, em laboratório, três variantes do coronavírus. As variantes testadas estão em circulação na África do Sul e no Reino Unido e têm mutações semelhantes à cepa brasileira.

O surgimento das novas variantes, com mutações na proteína spike – os espinhos que se ligam às células humanas para que o vírus consiga se replicar – tem feito os cientistas revisarem a eficácia das vacinas, pois as fórmulas foram desenvolvidas com base no vírus original.

Os pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e da Pfizer testaram o imunizante desenvolvido com a tecnologia de RNA mensageiro em combinações de três mutações na proteína spike, a D614G, presente na variante britânica; a E484K, da sul-africana; e a N501Y, presente nas variantes dos dois países.

Os testes foram feitos com amostras de sangue de 20 voluntários participantes dos testes clínicos da vacina. Esse material é composto por anticorpos obtidos após duas ou quatro semanas da imunização com duas doses da vacina, em um intervalo de três semanas. O trabalho foi publicado na revista “Nature Medicine” nesta segunda-feira (8/2).

A vacina foi testada com a cepa original do Sars-CoV-2, que nos testes clínicos feitos em 2020 mostraram eficácia de 95%, e nas com os vírus mutantes. A fórmula da Pfizer conseguiu neutralizar as três variantes do vírus, mas a a neutralização contra a E484K (África do Sul) foi ligeiramente inferior às demais.

O estudo assinado por Pei-Yong Shi, da universidade texana, e Philip Dormitzer, da Pfizer, lembra que a evolução constante do vírus exige um monitoramento contínuo do significado delas para a eficácia da vacina e que a tecnologia de vacina baseada em RNA mensageiro, como é o caso da Pfizer e da Moderna, pode facilitar as atualizações das vacinas desenhadas para combater a Covid-19.

“Esta vigilância deve ser acompanhada de preparativos para a possibilidade de que futuras mutações possam exigir mudanças nas vacinas”, escrevem os autores. Eles destacaram ainda que mudanças desse tipo funcionaram bem para a vacina da influenza, presente no calendário de imunização do Brasil, por exemplo.