Vai ter CPI da Afeam, sim! E o Radar conta o que está por trás disso…

Depois de 78 dias de protelação (leia-se “enrolação”) a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) finalmente definiu que vai, sim, instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9), pelo presidente David Almeida (PSD), que afirmou que na próxima quinta-feira, dia 16 de fevereiro, a CPI da Afeam será instalada.

O pedido de abertura da CPI da Afeam foi feito no dia 22 de novembro do ano passado, por nove deputados estaduais – Alessandra Campêlo (PMDB), Bosco Saraiva (PSDB), Cabo Maciel (PR), José Ricardo (PT), Luiz Castro (Rede), Platiny Soares (DEM), Sinésio Campos (PT), Vicente Lopes (PMDB) e Wanderley Dallas (PMDB).

O fato a ser investigado é uma aplicação financeira de R$ 20 milhões feitos pela Agência de Fomento – ler Banco do Povo do professor Melo – na empresa Transexpert Vigilância e Transporte de Valores, sediada no Estado do Rio de Janeiro. A Polícia Federal (PF) suspeita que a Transexpert era usada por uma organização criminosa para lavagem de dinheiro do esquema de corrupção comandado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que está preso. Para deixar bem claro, o pedido inicial da CPI só incluía investigar essa aplicação financeira. Nada mais.

Então, a CPI vem aí, mas não vai ser do jeitinho que a bancada da oposição está querendo, não!
Discípulo do Mestre dos Magos Melo (PROS), de quem foi líder por mais de um ano na Assembleia Legislativa, o atual presidente da Aleam, David Almeida, veio com um “feitiço”, diz ele, pronto pra virar contra outros feiticeiros : “A CPI vai ser instalada e vai ser ampliada”, ou seja, vai investigar muitas outras aplicações ou movimentações financeiras da Afeam, alcançando “governos anteriores”.

Isso é exatamente o que quer o próprio José Melo que, em novembro passado, manifestou-se publicamente em uma rádio de Manaus dizendo-se contra a CPI, porque “o Ministério Público de Contas, o Ministério Público do Estado e o governo estadual já estão apurando essa questão – imagina, gente, quem acredita em investigação de Governo contra o próprio governo? Mas, disse Melo, que se não tiver jeito, que a CPI seja ampliada. Em suas próprias palavras: “Vamos colocar desde a época do governador Eduardo Braga, com aqueles empréstimos horrorosos que foram feitos. Uma CPI não pode ser só para o mucuim, tem que ser para o elefante, para o veado, para o caititu, para todo mundo”, disse ele com aquele seu palavrório costumeiro e tendo mais um de seus momentos de amnésia ao esquecer da administração de Omar Aziz .

Mas como essa CPI vai ser ampliada, se o pedido inicial foi diferente? Muito simples! Aqui entra a figura do recém-empossado líder do governo, o deputado Sabá Reis, que desde o dia 1º de fevereiro – quando começaram os trabalhos legislativos deste ano – vem anunciando que deu entrada em um requerimento pedindo a ampliação da CPI. Como a bancada da situação (bancada governista) é maioria na Casa, a aprovação dessa ampliação vai ser fichinha.
Mas o que está por trás disso, afinal? Descobrir os “podres” por trás da Afeam desde tempos imemoriais? Descobrir corrupção, desvio de dinheiro público? Descobrir prejuízos à sociedade e repará-los?

Não, meu povo! O que está por trás disso é bem mais simples e bem menos nobre: as eleições de 2018. Sim! Você leu direito. Na Assembleia Legislativa e no Governo o ano já é 2018.
A situação funciona assim: a oposição na Aleam é encabeçada por Alessandra Campêlo, do PMDB, ligada ao senador Eduardo Braga, que era o governador do Amazonas antes de Omar Aziz e antes de Melo. Isso significa que essa CPI vai ter que investigar desde 2003, então, quando Braga iniciou seu primeiro mandato como governador. De 2003 a 2010, Braga era governador. Depois Omar Aziz ficou de 2010 até 2014 e, por fim, Melo de 2014 até hoje.

Pois bem, a investigação retroativa do grupo de Melo, alcançando Omar e Braga, é uma espécie de “ameaça velada”, para que esses dois “se mobilizem” e controlem seu gado, ou seja, orientem para que o grupo da oposição recue e desista da CPI. Vamos ver qual vai ser a orientação dos caciques nesse caso.

Por fim, quem sair derrotado nesta CPI certamente vai ter contra si, na campanha de 2018, uma arma infalível e de mira certeira. É por isso que a disputa começa hoje, mas vai terminar só no ano que vem! Haja “papel” para contar tudo!

ENTENDA O CASO DA AFEAM

Em novembro do ano passado o TCE requereu o bloqueio de bens do então diretor-presidente do órgão, Evandor Geber Filho, após a descoberta de uma aplicação de R$ 20 milhões feitos pela agência na empresa Transexpert Vigilância e Transporte de Valores, sediada no Estado do Rio de Janeiro, considerada “de alto risco para o Estado” pelo Ministério Público de Contas (MPC).
Evandor Geber Filho, o diretor de crédito, Marcos Paulo Araújo Vale, e o diretor de administração Arthur de Brito Cavalcante foram todos afastados da Afeam.

O MPC alega que os envolvidos aplicaram R$ 20 milhões em cotas do Fundo de Investimento de Participações Expert (Fip Expert), que por sua vez reaplicou o valor, pertencente aos cofres públicos do Estado, na empresa de transportes de valores TransExpert Vigilância e Transportes de Valores, com sede no Rio de Janeiro. Ainda conforme o documento, sócios das empresas possuem restrições nos órgãos de proteção de crédito por inúmeras inadimplências de diversos valores consideráveis.

O MPC apontou ainda que o Fundo é de natureza fechada, de modo que as cotas só poderão ser resgatadas pelo governo do Amazonas após dez anos, mediante a deliberação da Assembleia de Quotista, “o que representa um alto risco de operação e um temor aos cofres públicos do Amazonas, em pleno período de crise financeira”.

A transportadora de valores no Rio TransExpert é suspeita de ser o caixa-forte da propina recebida pelo ex-governador Sérgio Cabral e assessores. (Da equipe do Radar)