Vão começar as aulas do “ensino à distância” da Seduc que custou mais de R$ 53 milhões aos cofres públicos no ano passado


Está marcado para o dia 18 de fevereiro, o início do ano letivo nas escolas municipais e estaduais do Amazonas. O anúncio dos respectivos secretários de Educação é de que as aulas não serão presenciais, mas sim pelo programa “Aula em Casa” que nada mais é que o tal de “ensino com mediação tecnológica implementado pelo Centro de Mídias do Amazonas”, também chamado de “Ensino à Distância” que custou mais de R$ 53 milhões aos cofres públicos, somente no ano passado, pagos a quatro empresas pra fazer o mesmo serviço.

Essas empresas, pelo menos em tese, deveriam fazer chegar a milhares de estudantes de todo o Estado, o conteúdo das mais diversas disciplinas através de sinal digital via satélite. As aulas são ministradas a partir do estúdio de televisão do Centro de Mídias da Seduc em formato de teleconferência.

Apesar dos contratos milionários com quatro empresas, entre elas a DMP Design Marketing e Propaganda Ltda, do empresário Ronaldo Tiradentes, o que o Radar já conseguiu captar é que o sinal das teleaulas da Seduc, chega de forma sofrível em várias comunidades do interior do Estado e em outras sequer chega.

O Radar conseguiu falar com vários secretários de Educação de municípios do interior que disseram ser “um milagre” quando chega o sinal do ensino à distância da Seduc. “Eles colocaram aqui uns equipamentos, mas não funciona não!”, diz um o secretário de um município próximo de Manaus, mas onde o sinal não chegou durante todo o ano passado.

“E o que fazer já que não tem ensino à distância”, questiona o Radar, ao que o secretário explica que em todo o interior do Estado tem coordenadores da Seduc que passam o conteúdo das aulas por WhatsApp. Mas, para que o estudante tenha acesso ao conteúdo das disciplinas desta forma, ele precisa ter celular e ter internet. “E o aluno que não tem?”, pergunta o Radar mais uma vez. “Eles ficam sem estudar”, retruca o secretário.

E enquanto os estudantes do Amazonas sofrem sem acesso à educação, quatro empresas já têm milhões empenhados para receber este ano. Mas não sem o Radar mostrar os milhões pagos por um sinal que não existe.