Vazou para o Radar esquema de Caixa 2 de Melo com gastos de R$ 20 milhões no interior do Estado

O documento, ao qual só o Radar teve acesso, foi elaborado dentro de um escritório no Adrianópolis, nas proximidades do Clube Cagin, onde fica algo chamado pomposamente de Quartel General (QG) Estratégico de campanha do governador José Melo. O nome do documento é “Plano Estratégico de Campanha/Interior” e registra um valor total de gastos que ultrapassa R$ 20 milhões de reais, mais precisamente R$ 20.512.200,00 (vinte milhões e quinhentos e doze mil e duzentos reais)

E, essa cifra de milhões corresponde apenas aos gastos discriminados, porque há situações no “plano estratégico” em que só há definição de que haverá um “total” a ser pago, mas ele está em aberto, como no caso dos coordenadores dessa campanha estratégica onde constam nomes de diversos prefeitos do interior. Fica claro a existência do caixa 2 diante da disparidade entre os gastos de campanha declarados pelo governador ao TRE (R$ 23 milhões), e a existência desse “plano” com uma despesa de R$ 20 milhões apenas para  o interior, onde não consta o gasto com a estrutura de campanha para a capital, sempre em valor aproximado  ou maior do que no interior. Onde está nesse documento, por exemplo, a contratação de cabos eleitorais para a capital? E os gastos com material de campanha e comitês eleitores em Manaus? Isso vai ficar apenas em R$ 3 milhões, que é o que resta dos valor declarado ao TRE?

Prefeitos-coordenadores

A ilegalidade explícita já começa pela existência de prefeitos como coordenadores de campanha. Os administradores desses municípios não poderiam estar ocupando cargos de coordenadores de campanha política, vilipendiando a função para a qual foram eleitos que é de gestor de suas cidades. Isso denota claramente também outra ilegalidade com a existência de prefeitos-coordenadores de campanha, que é o uso da máquina pública em eleições, em favorecimento a um candidato, no caso o governador José Melo. Exemplo disso é o coordenador-prefeito de Itacoatiara, Mamoud Amed, do PSD, mesmo partido de Omar Aziz, candidato ao senado da coligação “Fazendo mais por nossa gente” do governador José Melo. Também do PSD, o coordenador de campanha de Melo em Boca do Acre é o prefeito Iran Lima.

Mas, há casos de coordenadores – prefeitos que vão além do descarado envolvimento desses gestores e, logicamente de suas respectivas prefeituras na campanha do governador Melo, já que o Radar detectou ainda no documento a ocorrência da infidelidade partidária, mais conhecida vulgarmente no meio politico como “pernada”. É nessa modalidade que se inclue, por exemplo, o prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros, que apesar de ser do PTB, partido do deputado federal Sabino Castelo Branco que está na coligação de Braga, aparece no “plano estratégico”como coordenador de Melo. E pior ainda o prefeito-coordenador de Envira, Ivon Rates,que é do PMDB de Braga, mas está na campanha de Melo. E, na modalidade “trairagem política” está incluido o prefeito de Manacapuru, Jaziel Nunes, o Tororó, que anunciou publicamente apoio a Braga, mas tem seu nome no “plano estrategico”como coordenador de Melo.

Multiplicador de voto

No tal “Plano Estratégico de Campanha”para o interior do governador José Melo aparece uma função eleitoral que não existe legalmente em qualquer prestação de contas de campanha enviada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o “multiplicador” de votos. No “plano” fica determinada a “contratação” desses “multiplicadores” conforme o número de eleitores por município: acima de 50 mil eleitores, de 20 mil a 49.999 eleitores, municípios de 10 mil a 19.999 eleitores e aindanos municípios com até 9.999 eleitores.  Só com esses “multiplicadores”os gastos indicados são de R$ 5.570 mil.

E ainda tem no “plano a figura do supervisor de multiplicador de votos, totalizando um gasto e R$ 558 mil reais. Após investigação feita pelo Radar junto a colegas jornalistas e assessores financeiros em pleitos eleitorais, toma-se conhecimento que essa figura faz parte de um “esquema paralelo” de campanha com pessoas pagas para cooptar outros eleitores que têm influência em seus respectivos redutos eleitorais, e que também estão nesse documento denominados de “multiplicadores extras”. Nesses “esquema” de captação de votos, esses multiplicadores têm, inclusive, a prática ilegal de fazer relação com títulos de eleitores, zonas e seções eleitorais.

Transporte criminoso

E apesar da Justiça eleitoral determinar que transporte de eleitor é crime, o “plano estratégico” do governador traz gastos de R$ 2.940.000 (dois milhões e novecentos e quarenta mil) com o aluguel de “baleeira” nos 61 municípios do Estado, duas por município, totalizando 122 “baleeiras” (lanchas rápidas), 50 embarcações grandes e a compra de combustível nos 61 municípios, com uma média de 10 mil litros por município, o que corresponde a 610 mil litros. (Any Margareth)

Veja abaixo “Plano Estratégico de Melo” na íntegra:

Plano Estratégico de Campanha