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Venezuelanos investem em bitcoin para encarar desemprego e hiperinflação

Enquanto a crise econômica na Venezuela diminui a oferta de empregos, o abastecimento de mercadorias e o poder de compra dos consumidores, a situação degradante aumenta o interesse dos venezuelanos pelas criptomoedas, especialmente o bitcoin.

Mesmo esse mercado não sendo regulado no país, o que dificulta a medição de estatísticas que mostrem seu crescimento, três especialistas ouvidos apontam que as curvas de transações, investimentos e mineração no país só têm subido nos últimos anos.

O Bitcoin foi criado em 2008 e é a primeira moeda com sucesso a usar criptografia. Essa tecnologia de segurança é usada para manter as transações seguras e ocultas. Diferente da moeda física, as moedas virtuais não são emitidas pelo Banco Central de nenhum país. A “criação” da moeda, chamada de mineração, é feita por pessoas, os mineradores, com acesso à internet e um programa de computador potente e complexo.

Um negociador venezuelano que atua no mercado de moedas virtuais há quatro anos defende o bitcoin como uma saída para uma série de problemas ocasionados pela crise no país, que tem a economia muito controlada pelo governo. “Tem controle de preço, de câmbio, de absolutamente tudo. E os venezuelanos se deram conta de que o bitcoin tem sido como uma espécie de salva-vidas que têm para poder suprir muitas necessidades que surgem nessa repressão financeira”, diz o negociador, que pediu para não ser identificado para preservar sua identidade diante de um “governo que persegue”.

Segundo ele, o maior crescimento do mercado vem da mineração de bitcoins. Na Venezuela, o baixo custo da energia elétrica é uma vantagem para os mineradores. Na visão do negociador, o baixo salário mínimo e o desemprego são outros incentivos à geração de bitcoins. “Um minerador está produzindo de 12 a 15 dólares por dia. No mês, isso é 6 vezes o salário mínimo venezuelano. Então aí há um tremendo incentivo para minerar. Pelo menos [ele] tem uma fonte de ingresso eterna para a economia da família”, afirma.

A moeda virtual supre outras necessidades que os venezuelanos enfrentam no dia a dia da crise econômica. Com bitcoins, podem comprar no exterior aquilo que não encontram no mercado nacional, caracterizado pelo desabastecimento, e ainda driblando o controle de câmbio feito pelo Banco Central.

Também há demanda por bitcoins para o envio de remessas para familiares que deixaram o país e vice-versa. Há também quem compre bitcoins simplesmente para investir dinheiro em uma moeda que vem se valorizando, ao contrário do bolívar.

E cresce no país, ainda que mais timidamente do que os outros usos, a aceitação de bitcoins como pagamento no comércio local. Com uma hiperinflação que supera os 530% – estimada pelo Parlamento controlado pela oposição; o governo não divulga o dado -, escassez de notas e restrições de saque nos bancos, o comércio foi obrigado a transitar ao uso de cartão. O que por sua vez obrigou os venezuelanos a fazerem mais filas para esperar pela cobrança eletrônica.

Fonte: G1