Vereador critica decisão que proíbe missões religiosas em território de indígenas isolados

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, salientou que os povos indígenas são vulneráveis no ponto de vista epidemiológico

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Foto: Robervaldo Rocha/CMM

O vereador Raiff Matos (DC) ficou revoltado com a decisão liminar (ver no final da matéria) do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que proíbe a entrada de missões religiosas em terras de indígenas isolados ou com pouco contato com terceiros, devido à pandemia da Covid-19.

A decisão de Luís Roberto Barroso atendeu um pedido feito em ação pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que questionavam o ingresso de novas missões nesses territórios. O ministro ressaltou que a pandemia “ainda está em curso” e que os povos indígenas são especialmente vulneráveis do ponto de vista epidemiológico.

Em post nas redes sociais, Raiff Matos ignorou a preservação dos povos indígenas, garantida na Constituição Federal de 1988, e, segundo ele, a decisão liminar do ministro do STF é uma perseguição contra a comunidade cristã.

“É por esse e muitos outros motivos que temos que ter bons cristãos na política. Perseguição seletiva, porque não organizar a entrada dos missionários em vez de proibir? É muito mais fácil proibir e aproveitar a cortina de fumaça do Covid-19”, disse.

O parlamentar conclui dizendo que “as portas do inferno” não vai prevalecer contra os cristãos.

Bancada evangélica

A reação de Raiff Matos segue exemplo dos membros da bancada evangélica na Câmara Federal, que também repudiaram a decisão de Barroso. Eles alegam que as missões religiosas não afetam os povos indígenas.

“A decisão ignora o papel das missões religiosas nas terras indígenas, sejam evangélicas, sejam católicas, cujas ações são precisamente relacionadas às áreas de saúde, da educação e da subsistência”, diz o texto.

Entretanto, os parlamentares esqueceram que os povos indígenas foram impactados com a pandemia da Covid-19. Um balanço divulgado pela Apib neste sábado (25) aponta que 1.208 indígenas morreram por Covid-19 no Brasil e mais 163 etnias foram atingidas pela doença.

Confira a decisão na íntegra