Vereadores vão entrar na justiça para tentar impedir David Reis de construir ‘puxadinho’ de R$ 32 milhões na CMM

Amom Mandel e Rodrigo Guedes afirmam que o projeto é desnecessário e que o valor poderia ser empregado em outra área

Foto: Divulgação

Uma afronta à sociedade“, foi essa frase que o vereador Rodrigo Guedes (PSC) usou para classificar a construção do novo prédio no complexo da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Na manhã desta quinta-feira (16), Rodrigo Guedes e Amom Mandel (Podemos) anunciaram que vão entrar na justiça para tentar barrar o projeto que vai custar quase R$ 32 milhões aos cofres públicos do município.

O novo prédio, chamado de “puxadinho”, é um projeto de autoria do presidente da CMM, vereador David Reis (Avante), e possui valor estimado em R$ 31.979.575,63 (trinta e um milhões, novecentos e setenta e nove mil, quinhentos e setenta e cinco reais e sessenta e três centavos). O prazo da obra é de 300 dias. Ainda conforme o projeto, o anexo deve ser construído onde, atualmente, funciona um estacionamento – exatamente na parte de trás da Câmara.

Na justificativa do edital (disponível no final da matéria) diz que o novo prédio será construído visando um possível aumento no número de vereadores, em decorrência do aumento populacional da cidade. Argumento esse que não convenceu Amom.

“São 51 gabinetes no puxadinho. Manaus só terá 51 vereadores quando atingir entre 6 e 7 milhões de habitantes. A fundamentação para esse edital não se sustenta. Isso é imoral e ilegal, e vamos provar.”, afirmou Amom.

Guedes afirmou que o projeto foi feito “na surdina” e não passou pelo plenário da casa. Ele diz que só tomou conhecimento do caso através da imprensa. O parlamentar também defendeu que o dinheiro para a construção do novo prédio seja usado em outra área, que possa garantir melhorias para a população.

Posicionamento do presidente da CMM David Reis

Em resposta aos questionamentos feitos pela imprensa, sobre a decisão dos vereadores de ingressar com Ação Popular contra a construção do novo prédio anexo da Câmara Municipal de Manaus (CMM), o presidente David Reis (Avante) afirma que decorrido o devido processo legal e ao tempo certo, se for necessário, se manifestará ante os fatos que serão trazidos.

Ao mesmo tempo, reafirma que “não há de se falar em democracia se não permearmos o discurso político com o direito à livre manifestação; se não possibilitarmos a qualquer cidadão o livre acesso a órgãos de controle dos poderes constituídos; se não assegurarmos, a quem quer que seja, o direito de se contrapor, de indignar-se e de expor livremente sua opinião, mas também criando as condições necessárias para a ampla defesa e o contraditório”.

David Reis destaca ainda o direito de livre exercício de pensamento e ações dos vereadores, que é assegurado pela Carta Magna Brasileira.

Edital de Concorrência Nº 001/2021