Vergonha: presidente da ALE constrange e cerceia palavra de professora que se manifestava da tribuna da Casa (ver video)

josue neto

Numa visível tentativa de evitar que uma das lideranças da categoria dos profissionais da educação, a representante do Movimento dos Professores do Amazonas, a professora Gleice Oliveira, falasse sobre as dificuldades que os educadores têm que enfrentar diante das péssimas condições nas escolas do Estado e, com isso, atingisse com críticas seu candidato à reeleção, o governador José Melo (aquele que até nas fotos oficiais usa a função de professor), o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Josué Neto (PSD) protagonizou uma das cenas mais vergonhosas que pode já ter sido vista no Parlamento estadual, também denominado de “Casa do Povo” por ele, e outros parlamentares, quando convém aos seus interesses.

Ao menor sinal de críticas ao atual sistema de ensino do Governo, Josué Neto passou a interromper a fala da professora, fazendo isso diversas vezes , até cortar de vez a palavra da educadora que estava se posicionando da tribuna da Casa, após o deputado estadual José Ricardo Wendling ter cedido o tempo do seu partido (PT) para que ela pudesse denunciar arbitrariedades que estariam sendo cometidas pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) com professores que passaram em concurso público e que estão em estágio probatório – tempo de serviço a ser cumprido pelo concursado, onde ele está sendo avaliado antes de ser efetivado no serviço público.

Gleice denunciou as cobranças feitas pela Seduc quanto ao desempenho desses professores , que se confrontam com as dificuldades que esses educadores estão enfrentado pela falta de estrutura. Um desses exemplos seria o fato de que a Seduc estaria impondo aos concursados a obrigatoriedade de realizarem um curso de formação online, de 2 horas diárias, pelo Centro de Políticas Públicas de Avaliação e Educação (Caed) da Universidade Federal de Juiz de For a/MG – dá até pra pensar que tem alguém ganhando grana com isso, né mesmo gente? – e depois ainda teriam que passar por uma avaliação final para, só depois disso, serem  efetivados como servidores do Estado.

De acordo com a professora, essa obrigatoriedade é irregular e inconstitucional, porque não estava prevista no edital do concurso público. “Os professores passaram nesse concurso e demonstraram a sua competência e capacidade para assumir a função de formadores de crianças e de adolescentes. Como é que dois meses depois de assumirem as suas cadeiras, ainda em 2012, a Seduc lhes impõe essa exigência para serem efetivados? Isso é uma completa excrescência”, denunciou a educadora.

Mas, mesmo sendo ilegal essa exigência, Gleice disse que os professores decidiram fazer o curso, mas se esbarram com um obstáculo: “não há internet nas escolas ao contrário do que é dito na propaganda do Governo”. Essa foi a frase que disparou o espírito autoritário e repressor do presidente da ALE, vergonhosamente afrontando o Estado Democrático de Direito (Any Margareth)

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