Vergonha!

vergonha

Pode quem quiser me esculhambar – afinal isso não é mais nenhuma novidade – e como já disse antes, quando a gente chega nos “enta” – de quarenta pra cima – não se está mais atrás de aceitação. A gente é o que é e ponto final. Esse negócio de querer ser Miss Simpatia é coisa pra adolescente. E além do mais, como bem faz entender o jornalista (e multitalentoso) Millôr Fernandes quem quer ser amado, escolhe outra profissão, não vai ser jornalista, né mesmo? Somos seres de poucos amigos, porque o livre exercício do pensamento e da opinião verbalizada, não combina com a burra unanimidade que agrada a todos.  E tem mais, certos xingamentos tornam-se o mais puro elogio vindo de certos caras. Digo isso, porque hoje, meu povo, vou perder as estribeiras. A falta de vergonha com que me deparei me causou uma overdose de indignação. Hoje (16/09), tanto na Câmara Municipal de Manaus (CMM), quanto na Assembleia Legislativa do Estado (ALEAM), o que se viu (e ouviu) foram dois vereadores do PT, Prof. Bibiano, e José Ricardo Wendling, fazerem discursos críticos, e com razão, sobre a falta de merenda escolar nas escolas municipais. Como? Mas isso ainda não foi resolvido? O que ainda me resta de credulidade nos homens públicos, me fez acreditar que, após meses vendo a imprensa local denunciar tal fato vergonhoso, e esse assunto virar pauta cotidiana nas Casas Legislativas, algo tinha sido feito, uma solução tivesse sido dada. Mas, pasmem, não foi!

Picolés e salsichas

E que Deus me perdoe ter um sentimento tão deplorável como a raiva, mas me enchi dela ao saber que tem direção de escola vendendo picolés pra comprar bolachas e sucos para a merenda, ou então fazendo cota com os pais pra comprar salsinha, enquanto isso o prefeito cuida da campanha de seu filhinho a deputado federal, o deputado estadual Artur Bisneto, fazendo carreata, caminhada, panfletagem e seja lá mais o que for, até no interior do Estado, e ainda acha tempo pra aparecer na propaganda eleitoral gratuita pedindo votos. E ai me deu raiva também de mim que votei nesse cara pra prefeito, gente!

Mal de família

E parece, que não ter um pingo desse sentimento chamado vergonha deve ser mal de família porque o filho do prefeito aparece na propaganda eleitoral, com uma atitude nada nobre – diante da situação de fome pela qual passam nossas crianças – tentando cooptar a simpatia e o voto do eleitorado feminino, que é maioria no Estado e no País. Diz ele que lutará pelos direitos das mulheres na Câmara Federal. Por que não começa respeitando o direito dos filhos dessas mulheres? Pelo amor de Deus, dá pra respeitar nossas crianças?!?!

Incompetência

Ao dar uma passadinha lá pelas bandas do plenário da Câmara, nem que quisesse, não dava pra deixar de ouvir, o vice-presidente da Casa, vereador Sildomar, devidamente refestelado na cadeira de presidente – já que o presidente Bosco Saraiva quer saber mesmo é de se eleger deputado estadual -, fazer o seguinte comentário ao discurso indignado do vereador petista Prof. (propositalmente com letra maiúscula) Bibiano sobre a falta de merenda escolar, tentando livrar a cara do prefeito Artur Neto: “Administrar a coisa pública é muito difícil” – definiu Sildomar. Pergunta-se: “E quem disse ao então candidato, e hoje prefeito, que seria fácil? E como diria minha velha e sabia mãe cabocla: “quem não pode com o pote não pega na rodilha”, ou seja, se não tinha competência administrativa para gerir uma mera compra de merenda escolar pra quê se candidatou a prefeito?

Boa intenção?!?!

E a vereadora, prof. (propositalmente com letra minúscula) Terezinha, imaginem, fez um aparte ao discurso do colega vereador Prof. Bibiano, utilizando os seguintes argumentos na tentativa de defender o prefeito : Primeiro: “A merenda escolar vai ser regularizada em setembro”. Como é que é, nobre professora, no final do ano letivo, depois dessas crianças ficarem meses passando fome? Segundo argumento: “O Prof. Bibiano tem todo o direito de reclamar”. E o vereador precisa quem alguém lhe dê permissão para tal já que o mandato dele vale tanto quanto o de qualquer outro vereador? E por último, disse ainda, que ninguém deve imaginar que o prefeito, e os secretários de Educação, tanto o que saiu, o deputado federal e candidato à reeleição Paunerney Avelino – que usa a merenda escolar em seu programa eleitoral e lá não falta nada -, como o atual, Humberto Michilles, não têm boa intenção de resolver o problema. Pois o que imediatamente me veio à cabeça foi: “De boa intenção, o inferno anda cheio”. E nós também, né gente? (Any Margareth)