Veterinária da 3ª dose debochou de vacina e defendeu tratamento precoce

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A veterinária Jussara Sonner virou centro de polêmica ao publicar em seu perfil no Facebook que tomou a vacina da Janssen, de dose única, depois de já ter sido imunizada com as duas doses da Coronavac no primeiro trimestre de 2021.

Apesar de ter tirado suas redes sociais do ar, publicações replicadas por usuários e acessadas pelo UOL na tarde de hoje mostram que a mulher já defendeu o tratamento precoce, que envolve medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, além de ter feito afirmações contra a “vachina”, apelido pejorativo para a Coronavac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, que ela tomou no início do ano.

Em outras postagens nas redes sociais, Jussara também se declarou contra o lockdown, afirmando que a medida de isolamento “mata”, e teceu críticas a figuras como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), além de mostrar apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar de ter deletado suas páginas no Facebook e no Twitter, a veterinária ainda continua na rede social BomPerfil, definida como uma plataforma “100% Brasileira, livre de censuras e bloqueios indevidos” em sua descrição na loja de aplicativos do Google.

“Sou de direita e não suporto a esquerda e seus tentáculos nocivos! Artistas, globais, jornazistas e feminazes para mim são desnecessários na sociedade! #forastf #foraDoria #foranhonhoebatore #fechadocomBolsonaro”, afirma a biografia de Jussara na rede social, onde ela manteve as críticas às medidas sanitárias contra a pandemia.

Além das opiniões sobre figuras políticas e dos posicionamentos contra a gestão da pandemia, em sua conta no LinkedIn, onde descreve sua prática na medicina veterinária, Jussara afirma que aplica vacinas importadas em seus pacientes, cães e gatos, e destaca o uso de cannabidiol, uma das várias substâncias presentes na maconha, em tratamentos orientados por ela.

Compostos derivados da cannabis sativa estão autorizados no Brasil de maneira controlada e suas possíveis aplicações farmacêuticas são estudadas há décadas por instituições brasileiras como a Universidade de São Paulo (USP).

Agora, além de desativar o perfil nas maiores plataformas, a veterinária trancou suas mensagens em sites como o LinkedIn, onde ainda possui página.

O Caso

Fotos dos comprovantes da vacina publicadas por Jussara nas redes sociais mostram que ela foi vacinada com as duas doses da CoronaVac em 9 de fevereiro e 2 de março deste ano, na UBS Vila Fátima, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

No dia 30 de junho, ela se vacinou novamente com a dose única da Janssen, em outra unidade do mesmo município, a UBS Uirapuru. Nas postagens, Jussara ainda zombou do sistema de saúde, afirmando que não havia computador na UBS.

“Nem o comprovante de endereço olharam”, prosseguiu a veterinária.

O caso foi denunciado no Ministério Público de São Paulo por meio do portal “Fura-fila da vacina”. O MPSP afirmou que a denúncia foi recebida e encaminhada para a Promotoria de Justiça.

Todas as vacinas usadas no Brasil foram aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e tiveram a eficácia comprovada em testes. A escolha de imunizantes vem sendo criticada por especialistas e autoridades em Saúde, pois atrapalha a logística e a estratégia de atingir um público cada vez maior.

Até ontem, menos de 13% dos brasileiros haviam completado o ciclo vacinal contra o coronavírus.

Revacinação não traz benefício

Segundo o médico Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp, não existe efeito benéfico da revacinação dentro de um período de tempo tão curto.

“No momento em que ainda não vacinamos nem 40% da população com a primeira dose, uma pessoa fazer esse tipo de falcatrua é o cúmulo do egoísmo e da falta de empatia. Ela está tirando dose de gente que precisa e não está se beneficiando, não está mais protegida”, afirma Barbosa.

Segundo o médico, que é do Comitê de Covid-19 da Associação Médica Brasileira e da Sociedade Brasileira de Infectologia, a possibilidade da revacinação com a terceira dose está em discussão, mas sob a condição única de que só deve acontecer depois que toda a população acima de 18 anos esteja imunizada.