Do Viagra a silvinita: momentos que, pelo que parece, só o Radar captou no discurso do governador

Sinceramente, sou avessa à linguagem formal, até mesmo pra escrever, porque ela é chata, cafona, esnobe e tem aquele quê de hipocrisia, um ar de quem quer ser intelectual sem ser. As figuras mais cultas de que se tem conhecimento não têm necessidade de demonstrar erudição, elas o são e ponto final. Até porque quem é algo não precisa sair por aí dando prova disso, não é mesmo? Se essa linguagem vem em forma de discurso escrito, aí beira o insuportável. Não tem o olho no olho com outras pessoas, a cabeça fica curvada pra baixo mirando apenas a folha de papel. Não tem a mudança de feição própria de quem sente o que está falando, um sorriso desconcertado, um contorcer de lábios, um menear de cabeça e nem a sinceridade de um tropeço nas palavras, uma concordância gramatical naturalmente mal feita, uma gagueira momentânea de quem está nervoso. Fica algo sem sentimento, sem expressão da verdade, e que dá um sono terrível de tão tedioso. Por isso, foi com admiração que a turma do Radar, numa sexta-feira à noite, dia de encontro marcado para reunião semanal do site, viu com admiração o agora governador do Estado, professor José Melo, pedir desculpas ao cerimonial, e dizer que se recusava a fazer aquele discurso escrito, elaborado antecipadamente, iria se entregar ao calor do momento de quem esperou 32 anos para ser governador do seu Estado, alguém que estava tão nervoso que se sentia como se tivesse gelo na barriga. Legal! Nada mais humano e, por isso, receptivo aos nossos ouvidos. Mas, vimos com estranheza e constrangimento, o governador enveredar pelo caminho da comicidade, pela tentativa de ser engraçado e fazer um discurso inconveniente porque, como dizem os maiores atores desse País, bem mais difícil do que fazer alguém chegar às lagrimas, é fazer rir. E no caso da posse de um governador, certos tipos de sorrisos são desconcertantes e impróprios.

Aquele negócio

Um desses momentos em que nos entreolhamos desconcertados foi quando o governador após falar de sua certeza do apoio, da sensibilidade e da dedicação de sua esposa durante o tempo em que estará no Governo – até aí estava fantástico o improviso – fez a seguinte declaração: “E ainda vai encontrar forças de noite pra fazer aquele negócio porque eu também sou filho de Deus”. Forças pra fazer aquele negócio? Pelo amooor de Deus!

Viagra

E diante da risada geral do público, ainda arrematou: Vocês estão rindo, é? Depois que a tecnologia chegou não tem mais vida difícil? – será que a gente entendeu que a única citação sobre tecnologia do governador em seu discurso foi visivelmente sobre o Viagra.

O caso da silvinita

E Melo que tentou agradar a gregos e troianos – de Amazonino à Artur Neto – em busca de concentrar apoio político em torno de sua reeleição ao Governo, usou para fazer afagos ao líder do Governador na ALE, e seu colega na profissão de professor, o deputado e Sinésio Campos, a luta do parlamentar pela exploração da silvinita como nova alternativa econômica para o Estado – até esse ponto novamente estava indo muito bem – mas de repente decidiu contar que Sinésio de tanto falar e pensar em silvinita acabou sonhando com ela e falando seu nome durante o sono: “E Sinésio acordou aos tapas de Joana (esposa do parlamentar) que queria saber quem era essa quenga chamada silvinita”. O quê? A esposa do professor Sinésio não sabe o que é silvinita? E ainda quer saber quem é a quenga? Abafa o caso!