Vídeo mostra detentos do Compaj na chamada “fila do pó”, com a distribuição gratuita de cocaína pelos “xerifes” do presídio

O vídeo choca! Neles homens que deveriam pelo menos na teoria estar sendo socializados para um dia, quem sabe, retornarem à sociedade aparecem enfileirados como “bichos” para fazerem uso de cocaína, tomados pelo efeito da droga, como se diz na linguagem popular, “noiados”, fazem gestos como o de cortar pescoços. A distribuição gratuita da cocaína seria uma demonstração de poder dos “xerifes do presídio” para manter esses homens dependentes deles e capazes de fazer qualquer “favor” para os chefes do presídio.

Essa foi uma explicação dada pelo próprio presidente da Associação dos Agentes Penitenciários Terceirizados, Adnaldo Matta, entidade da qual fazem parte os agentes que vigiam os presos, e deveriam mantê-los sob controle. Isso mostra que quem mantém o controle na cadeia não é o Estado, mas sim presos de altíssima periculosidade capazes de dar ordem até para matar. E, infelizmente, essa situação nos faz lembrar as seguidas fugas de presos do Compaj, e nos causa terror pensar que esses homens, sob efeito das drogas e sob ordem do tráfico são capazes de tudo, dentro e fora dos presídios. Esse é o quadro da segurança pública que o Radar jamais gostaria de estar mostrando, em nome seja do que for, afinal todos nós vivemos e criamos nossos filhos nessa cidade, e nos vemos reféns de um situação apavorante, onde não se está seguro seja em que lugar for.

A matéria, junto com o vídeo, foi divulgada nacionalmente neste sábado (18), através do site Folha.uol. com .br,  mas, estranhamente, a página já não pode mais ser acessada. Ao tentar linkar com a matéria aparece uma mensagem dizendo ser “impossível acessar a página”. Mas, como o Radar capta sinais a distância com bastante rapidez, aí vai o texto na íntegra e o vídeo para nossos leitores.

Vídeo mostra presos enfileirados para consumir cocaína dentro de penitenciária em Manaus

 “Narizinho, bota o narizinho, só o narizinho”, avisa o homem com um prato à frente da fila de detentos.

Com uma carta de rei de copas, ele junta o que sobrou do pó branco no prato de vidro e leva até o nariz de um colega, que aspira o conteúdo.

A cena foi flagrada com um celular no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), em Manaus (AM). O vídeo, obtido pela Folha, mostra a fila de pelo menos dez detentos em um corredor do presídio para consumir cocaína.

“É a fila do pancadão, rapaziada!”, grita um dos presos, que usam a suposta droga e, imediatamente, voltam para o final da fila para repetir o processo. “Nunca mais acaba a fila”, gritam.

Alguns escondem o rosto, outro faz um sinal como se estivesse cortando o pescoço. Há, ainda, os que riem e provocam. “Anísio Jobim, porra!”, gritam dois deles, confirmando o local da filmagem. “Acabou, acabou a zeroína'”, anuncia outro, enquanto os detentos desfazem a fila e se dispersam.

A livre distribuição de drogas em presídios do Amazonas é uma rotina, afirma Adinaldo Matta, diretor da Associação dos Agentes Penitenciários Terceirizados. No Anísio Jobim, são eles que vigiam os detentos.

“É uma recreação deles. Os xerifes’ das cadeias às vezes distribuem essas drogas para os que não têm poder econômico e não podem comprar a droga. É uma troca de pequenos favores”, afirma Matta, que já atuou no Compaj. “Eles fazem isso até para mostrar seu status dentro da unidade”, completa Mata. O presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Amazonas, Antônio Jorge Santiago, diz que já presenciou cenas semelhantes.

“Já vi presos com sacolas de drogas, passando e vendendo. Mas eu estava sozinho na unidade, não podia fazer nada. Essa situação é normal nos presídios”, contou. Em agosto, 28 agentes terceirizados que atuavam no Compaj foram afastados sobsuspeita de facilitar a fuga de seis detentos, em julho. Em dois anos, 200 agentes foram afastados no Amazonas.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Amazonas afirma que o vídeo foi gravado em 2004, em outra unidade. Matta, da associação dos agentes terceirizados, diz não ter dúvidas de que o local é mesmo o Compaj. Santiago, do sindicato dos agentes, disse o vídeo foi gravado no fim de 2013.