Violência faz Correios suspenderem entregas em áreas do Rio

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A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deixou de realizar entregas em áreas de bairros no Subúrbio e da Zona Norte do Rio por causa da violência na região. A situação faz com que moradores de bairros como a Penha sejam obrigados a enfrentar filas em centros de distribuição para retirar entregas pelas quais pagaram frete. Funcionários da companhia contaram que já sofreram assaltos e até sequestros ao saírem com o carros para distribuir as encomendas.

De acordo com Paulo César da Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro (Sintect-RJ), funcionários da companhia precisam ser afastados após serem vítimas em casos de violência. Ele explicou que os carros dos Correios são visados por criminosos por transportarem aparelhos eletrônicos, como celulares e televisões.

“Muitas das vezes o trabalhador é até sequestrado. Casos de trabalhadores trancados em um furgão com armas na cabeça. O carregador leva o carro e aí chegam três (assaltantes) e fecham o carro. Está tão difícil que daqui a pouco estão roubando carteiro pedestre. As vezes o cliente não entende que é também uma forma de proteger o objeto dele e proteger o trabalhador”, disse Paulo.

Em nota, os Correios disseram que o setor de segurança da empresa realiza levantamentos para restringir a área de entrega da empresa. Segundo a companhia, a medida visa garantir a segurança de seus funcionários e das encomendas dos clientes.

Filas para buscar encomendas

Quando as entregas não são realizadas em áreas consideradas de risco, os Correios encaminham a encomenda até o centro de distribuição mais próximo do cliente. No entanto, a sede da Penha, no Subúrbio, por exemplo, clientes esperam horas na fila para retirarem suas encomendas. É o caso de Paulo Jorge Gomes, morador de Turiaçu, também no Subúrbio. Ele fez duas encomendas em outubro, mas foi informado que precisaria buscar seu pedido no centro de distribuição da Penha.

“Os Correios da Penha ficam perto do (Conjunto de Favelas do) Alemão. A gente pode ir em área de risco, mas eles não podem vir entregar”, reclama o cliente, após ter esperado duas horas na fila da unidade.

A revolta atinge ainda moradores de outros bairros do Subúrbio e Zona Norte como Madureira, Turiaçu, Rocha Miranda e Brás de Pina. O arquivista Alex Fernandes precisou ir dois dias até o centro de distribuição da Penha porque os Correios não entregaram o pedido de sua irmã em Rocha Miranda.

“É dinheiro jogado fora. Ontem ainda estava mais cheio, mais de 30 pessoas. (A fila) estava fazendo curva. Teve até discussão”, disse ele, que no dia anterior não teve sua encomenda localizada pela empresa e precisou retornar ao local.

PM diz reforçar patrulhamento

Questionados se devolveriam o pagamento de frete aos clientes prejudicados, os Correios responderam apenas que “o valor do serviço é baseado na distância percorrida pelo objeto da área de postagem à região de destino”.

A Polícia Militar informou que se reúne com representantes da empresa para reforçar o patrulhamento em locais indicados pelos Correios e também baseado na mancha criminal.

Fonte: G1