Vítimas da corrupção: Choro e desespero na “Casa do Povo” (ver vídeo)

mulher-choro-capaAs imagens mostram o desespero de uma mulher na galeria da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) no mesmo momento em que o presidente em exercício e vice-presidente da Casa, deputado Belarmino Lins, – Josué Neto fugiu – encerra a audiência pública com o secretário de Estado da Saúde do Governo de Melo, Pedro Elias, sem permitir que os funcionários das empresas terceirizadas que alegam estar há meses sem salário, possam falar em plenário.

“Se a Justiça aqui não vale! O que adianta? Não adianta nada! Nós trabalhamos direto. Trabalhamos doze horas por dia e não ter direito ao nosso salário. Isso é uma vergonha”, diz a mulher aos prantos – enquanto isso, ao fundo, é ouvida a voz do Belão convocando os deputados para mais uma daquelas sessões especiais de homenagem feitas pela Assembleia Legislativa.

Nesta terça-feira (25), após quatro convocações e nenhuma presença, o secretário Pedro Elias esteve na Assembleia para dar explicações sobre o caos na saúde pública do Estado e os desvios de recursos do setor. Uma decisão do desembargador João Mauro Bessa, em resposta a mandado de segurança impetrado pela deputada Alessandra Campêlo, determinou a obrigatoriedade do comparecimento de Pedro Elias ao Legislativo estadual, no prazo de 10 dias, sob pena de pagar multa diária de R$ 5 mil.

Um dos principais questionamentos feitos por alguns deputados – pelos parlamentares de oposição, como de costume – e pela imprensa, foi a questão dos salários atrasados dos servidores terceirizados da saúde. O secretário insistiu em dizer que 60% desses trabalhadores receberam uma parte de seus salários atrasados na sexta-feira passada e a outra parte vai ser paga nos próximos dias.

Os trabalhadores dizem que Pedro Elias está mentindo. Eles afirmam que a grande maioria recebeu um valor que não significa nem um mês de salário – segundo eles, há funcionários com até quatro meses de salários atrasados. “Tem contracheque que veio com R$ 300 reais e tem até quem tenha recebido R$ 100 reais de pagamento”, contam. Eles alegam também que vários funcionários não receberam um centavo sequer.

Sem o sustento da família e sem direito sequer de falar na “Casa do Povo” – os deputados adoram dizer essa expressão -, a mulher se desespera e chora. E eu me revolto aqui pensando nos carrões e na vida de luxo dos diretores dessas empresas e nas conversas tão amigáveis e solícitas dos secretários de Melo com Mouhamad Mustafá, o chefe de um esquema de corrupção que cada vez faz mais vítimas no nosso Estado, com o silêncio obsequioso da Justiça. (Any Margareth)