Vítimas de exploração sexual em Coari estão mudando depoimento e acusados estão sendo soltos. Adail Pinheiro deve ser o próximo

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E o que vou contar agora tem tudo a ver com a frase do jurista Rui Barbosa: “Justiça atrasada não é Justiça; senão injustiça qualificada e manifesta”. Pois é, a Justiça tardou no caso das acusações de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes em Coari que teriam sido praticados pelo prefeito afastado Adail Pinheiro, que está preso – melhor dizendo aquartelado – no Quartel de Cavalaria desde fevereiro desse ano e dos membros de seu secretariado. O silêncio da Justiça que estranhamente não julgou nenhum dos inúmeros processos de Adail Pinheiro por abuso de crianças e adolescentes agiu a seu favor e dos vários servidores públicos que são acusados de participar de uma rede de Pedofilia naquele município.

Seus secretários que já tinham sido beneficiados com uma decisão da Justiça do nosso Estado e foram transferidos da penitenciária em Manaus para o presídio de Coari, para ficarem “perto de suas famílias” – pasmem com uma decisão dessas! -, contando com regalias inclusive de sair do presídio e andar livremente pela cidade, frequentando até mesmo a vida noturna da cidade, estão sendo soltos, um após o outro, na surdina, sem contar nem mesmo que a imprensa do Estado – a tal da imprensa livre e imparcial – publique uma linha. Dos seis funcionários de Adail Pinheiro que estavam presos, dois deles já estão soltos, o então secretário de Terras e Habitação, Francisco Erimar Torres de Oliveira, o Dirinho, presidente de uma Associação de Mototaxistas em Coari denominada “Os pretinhos” e o secretário de Administração, que também acumulava o cargo de chefe de gabinete de Adail, Eduardo Jorge de Oliveira Alves.

Isso teria ocorrido porque as vítimas e testemunhas começaram a mudar seus depoimentos e inocentar os envolvidos no caso. Para tal, Adail Pinheiro, teria mandado emissários para Manaus que estão aliciando essas pessoas com dinheiro e favores. Desestimuladas porque veem que suas denúncias não deram em nada, a não ser o fato de que foram perseguidas e que tiveram até mesmo que mudar de cidade, as acusadoras de Adail estão alegando que se enganaram. E, foi assim, que seus dois secretários saíram da cadeia, e as mesmas alegações jurídicas que foram usadas pelas assessorias jurídicas para a soltura desses acusados de fazerem parte de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes em Coari, vão estar sendo usadas para o caso de Adail. E, com o tempo que é “irmão” de todas as injustiças, ele também deverá ser solto. (Any Margareth)