“Vou criar um novo grupo político e Braga não vai ser mais nada nesse Estado”, teria dito Omar Aziz no início desse ano

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Testemunhas do processo político no Amazonas desde 2010, pessoas que conviviam bem de perto com Omar, Melo e Braga decidiram contar ao Radar o que aconteceu nas “coxias” do poder desde o momento em que Omar foi eleito governador do Estado em 2010. “Omar dizia que queria fazer as coisas ao seu jeito, da sua forma e Braga era um empecilho”, diz o frequentador não só da sede do governo como do círculo de amigos de Braga e Omar, antes aliados. “Logo depois de ser eleito governador, Omar não escondia para pessoas próximas o desejo de que Braga fosse pra Brasília e ficasse por lá”, acrescenta.

Frequentes desentendimentos teriam tornado a situação insustentável a tal ponto que, no início desse ano, Omar teria dito ao amigo comum dele e de Braga, em tom raivoso: “Vou criar um novo grupo político e Braga não vai ser mais nada nesse Estado”. Isso leva a crer que Omar já tinha tomado a decisão de não apoiar Braga bem antes do anúncio de apoio à reeleição do governador José Melo. Com a experiência de quem frequentou as salas do Poder e conhece bem Omar, o parceiro do Radar comenta: “Ele ficou enrolando propositalmente pra tomar a decisão porque assim Braga não se armava com antecedência para tal situação, e Melo se fortaleceu com isso”.

Esqueceu de combinar

Só que o interlocutor conta, em tom de ironia, que Omar esqueceu de combinar com Melo quem é o líder desse novo grupo político. “Nem bem terminou o primeiro turno e Melo já andava sussurrando que não aguentava mais Omar e sua esposa Nejmi Aziz dando ordens pra tudo que é lado e que estava doido para vê-los pelas costas, a quilômetros de distância, em Brasília.

Prestígio

E pelo visto, segundo o enredo dessa história contado pelo interlocutor, Omar não contava com a vitória de Dilma Rousseff de quem Braga é líder no Senado e um dos “queridinhos” da “rainha” e daquele que atua como primeiro-ministro (por assim dizer) no País, Luiz Inácio Lula da Silva. E ainda tem o fato de que Dilma teve quase o dobro de votos de seu adversário no Amazonas, cerca de 500 mil votos que a ajudaram, e muito, a vencer uma eleição em que a diferença entre um presidenciável e outro foi a menor da história das eleições presidenciais no País. E ainda há quem diga, entre jornalistas que cobrem a capital federal, que Dilma não pretende esquecer o que Melo e Omar fizeram com ela no segundo turno das eleições, deixando-a a própria sorte no Estado, e nem que Lula esqueceu que ao tentar falar com Omar quando esteve no Amazonas, ficou sabendo que esse (Omar) teria se mandado lá pras bandas de Manacapuru e o deixado falando sozinho. Todas essas situações só teriam reforçado o prestígio de Braga junto ao Governo Federal. Agora, só o tempo dirá o que vai acontecer naquelas voltas que a vida dá! (Any Margareth)