Wajngarten: governo levou 2 meses para responder carta da Pfizer

 

Ex-secretário de comunicação Fábio Wajngarten depõe à CPI da Covid no Senado/ Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Ex-secretário de comunicação Fábio Wajngarten depõe à CPI da Covid no Senado/ Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República Fabio Wajngarten presta depoimento, nesta quarta-feira (12/5), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. A sessão teve início pouco depois das 9h.

Ao iniciar a fala, Wajngarten afirmou que procurou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para tratar da carta que foi enviada pela Pfizer ao governo federal.

“Quando soube, em novembro do ano passado, que a Pfizer havia enviado carta ao governo brasileiro, procurei imediatamente solucionar eventual impasse. Vi por bem levar ao presidente Bolsonaro o assunto na busca por uma solução rápida”, disse.

Ao relator, Wajngarten afirmou que uma carta de autoria da farmacêutica Pfizer, endereçada ao Palácio do Planalto, foi enviada em 12 de setembro. Segundo o ex-secretário, “até 9 de novembro ninguém havia respondido”

Wajngarten informou que se reuniu, em seu gabinete, no dia 17 de novembro, com um assistente, o CEO da Pfizer, Carlos Murilo, e a diretora da Comunicação da Pfizer. No encontro, Murilo agradeceu a resposta e teria dito, segundo Wajngarten: “Eu quero que o Brasil seja a vitrine da América Latina na vacinação da Pfizer”.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL), como determina o regimento, é o primeiro a fazer perguntas ao depoente. Ele questionou Wajngarten sobre os trabalhos feitos pela Secom para divulgar campanhas de conscientização sobre a pandemia.

“Secom fez campanhas desde fevereiro de 2020, aos primeiros sinais da pandemia. Nós tivemos, em todos meses desde fevereiro de 2020, campanhas informativas, campanhas educativas, campanhas publicitárias, totalizando 11, sendo quatro da Secom e sete do Ministério da Saúde”, explicou.

O ex-secretário rechaçou as declarações de que o governo federal foi omisso ao informar a população sobre o enfrentamento da pandemia. “A impressão que se tem é equivocada em dizer que o governo não comunicou com técnica, isenção e profissionalismo. A gente fez campanha todos os meses, com muita mídia técnica, com muita mídia especializada”, defendeu-se.

Convocação

Fabio foi convocado após revelar, em entrevista à revista Veja, que o governo federal, em especial o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, falhou na aquisição de vacinas contra Covid-19 — sobretudo, na compra de doses da Pfizer, que havia contatado o governo brasileiro em agosto de 2020.

Segundo o ex-secretário, houve “mau assessoramento” de Bolsonaro na condução da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

O ex-secretário relatou que se reuniu com diretores da Pfizer, discutiu cláusulas e teria conseguido reduzir preços e obtido compromissos de antecipação da entrega de lotes do imunizante, mas o acordo não prosperou. Os detalhes dessas tratativas serão parte importante da oitiva de Wajngarten na CPI.

Depoimentos

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, prestou depoimento nessa terça-feira (11/5) e acabou deixando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em situação delicada, por ter salientado diferenças em relação a posições firmes do presidente, como sobre cloroquina e aglomerações.

Na semana passada, os senadores ouviram os esclarecimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, além de do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que pode ser reconvocado à CPI. Os senadores consideraram seu depoimento evasivo.

Pazuello, que seria ouvido na última quarta-feira (5/5), prestará depoimento em 19 de maio, uma vez que alegou ter tido contato com duas pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Contudo, a avaliação nos corredores da Casa é de que o ex-ministro, ao não ir na semana passada, trocou uma oitiva “ruim” por uma potencialmente “pior”.

A CPI da Covid-19 tem o objetivo de investigar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia, e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio, além de apurar possíveis irregularidades em repasses federais a estados e municípios.