Wilker protocola moção de repúdio contra novo ataque à Zona Franca

O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) protocolou, na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nessa terça-feira (10), uma moção de repúdio ao ministro Paulo Guedes, após ele ter feito declarações ofensivas ao modelo econômico Zona Franca de Manaus. A ação foi acolhida por todos os deputados presentes e teve como co-autor o presidente da Casa, Josué Neto.

O documento será enviado ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. Os demais 22 deputados da Aleam, também assinaram a propositura que na sua justificativa ressalta as declarações do Ministro em palestra realizada na cidade de Fortaleza, onde estavam empresários e políticos do Nordeste.

Na ocasião, Paulo Guedes afirmou que o modelo é “antieconômico e mal feito”, “ruim” e que custa bilhões de renuncias aos cofres da União. Alem disso, “atrapalha” o projeto de desenvolvimento regional.

De acordo com Wilker, a atitude do ministro é classificada como ‘preconceito e total desconhecimento sobre o principal modelo ambiental do mundo’.

“Dei entrada a uma moção de repúdio contra as falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, que é totalmente desfavorável ao modelo econômico da Zona Franca de Manaus. O ministro é alguém que não se porta à altura do cargo de ministro do Estado, que deveria olhar para o Brasil como um todo e não atacar um modelo que pessoalmente ele não é a favor. Quero que ele tenha coragem de fazer um grande debate aqui”, disse o deputado.

O deputado afirmou que o Poder Legislativo tem grande responsabilidade e protagonismo diante de assuntos relevantes para o Amazonas e por isso, ganha força para ir até o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), que já se colocou a favor do modelo, mas que é fortemente combatido pelo ministro da economia.

Em julho deste ano, quando Bolsonaro esteve em Manaus na Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Suframa (CAS), o presidente afirmou que a ZFM iria ser preservada.

“Eu falei aqui nesta tribuna que daria o voto de confiança do presidente, mas que sou pé atrás com o Guedes. A maioria dos amazonenses não votou no Guedes, e sim no Bolsonaro, que assumiu o compromisso incondicional com o Amazonas e a Zona Franca quando participou da reunião da Suframa. Vamos solicitar à Assembleia uma Audiência Pública com o presidente da República, juntamente com a bancada federal do Amazonas, para cobrar que um ministro da Fazenda não pode impor a sua vontade, com base na desinformação, acima do presidente, a maior autoridade do País. Não temos que ter medo de cara feia”, disse Wilker.

De acordo com o presidente da Aleam, deputado Josué Neto, as manifestações representam um erro grave e vão na contramão dos debates nacionais e internacionais, sobre a manutenção da biodiversidade da região amazônica.

“A Zona Franca de Manaus é o maior modelo de preservação do meio ambiente no mundo. Nossa indústria não polui, não desmata e faz com que ao menos 90 mil homens e mulheres não tenham que desmatar. Vamos pedir apoio de todas as esferas, para que isso seja compreendido”, enfatizou Josué Neto.

(*) Com informações da Aleam