Wilson Lima: sem fotografia e sem blá, blá, blá

Duas novidades da posse do jornalista  Wilson Lima como governador do Estado me fizeram lembrar quantas vezes, euzinha aqui, não esculhambei – em voz alta porque essa sou – toda vez que me deparava com uma foto oficial de governadores do Estado, em tudo que é sala, até nos corredores e recepções de órgãos públicos. Pra onde a gente se virava lá estava o dito cujo te olhando. As vezes parecia até escárnio com a nossa cara. Como no caso de uma foto do ex-governador José Melo, já cassado por crime eleitoral, mas mantido no cargo de governador e o Amazonas numa situação de penúria, mas lá estava ele sorrindo na parede de entrada dos elevadores do Poder Legislativo. E a gente obrigado a esperar o elevador encarando Melo sorrindo.

Pior ainda era nos hospitais onde o paciente passava horas gemendo de dor sem atendimento, mas tinha que ficar olhando para uma foto de José Melo na recepção como rir da dor do cidadão que votou nele. E eu sempre questionava cadê a impessoalidade na administração determinada pela Constituição desse País.

Pois bem, o jornalista Wilson Lima disse que está abolida a foto oficial em prédios públicos, pelo menos na sua gestão como governador do Estado. Essa foi a grande novidade de um discurso de posse que durou cerca de apenas dez minutos. Muito diferente da longa falação dos discursos de posse dos governadores anteriores – e olha que dizem que jornalista gosta pacas de fala, de preferência mal.

De novo, me fez lembrar, do meu mau humor em ter que passar horas em pé cobrindo posse de governador falador. Na minha cabeça sempre soava a frase da minha semianalfabeta, mas sábia mãe: “quem fala muito num faz nada”. É o que o Radar espera ver de Wilson Lima, pouco papo e muita ação.