Wilson pôde respirar aliviado; pena que meu povo não pôde fazer o mesmo

Tenho certeza, que o governador Wilson Lima (PSC) deve ter respirado aliviado ao receber a notícia de que a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu o habeas corpus permitindo que ele não comparecesse a CPI da Covid-19 do Senado Federal para prestar depoimento, como estava marcado pra acontecer nesta quinta-feira, 10 de junho de 2021.

Wilson Lima deve ter se debatido todo de nervoso, conforme ia chegando o dia de depor na CPI, deve ter ficado até com falta de ar, um dos sintomas de crise de ansiedade, algo próprio de quem se vê diante de um episódio estressante.

Sei disso porque aprendi com a experiência, não por acaso uma péssima experiência, de quem passou os dias e as noites também, escrevendo matérias sobre pessoas morrendo na porta de hospitais por falta de médicos e leitos de UTI, morrendo por falta de respiradores, enquanto ventiladores pulmonares eram superfaturados em loja de vinhos, tendo que fazer vídeos de pessoas mortas junto com vivos em hospitais e, por fim, vendo pessoas morrendo asfixiadas, sem oxigênio, sem poder fazer nada para ajudar. Tive sérias crises de ansiedade que, vez por outra, ainda teimam em voltar.

Nessa época, o governador do Estado parecia não ter crises de ansiedade. O governador, segundo o próprio secretário de Saúde do seu governo, Marcellus Campelo, soube no dia 7 de janeiro que iria faltar oxigênio nas unidades de saúde do Estado. O único que teve alguma reação de desespero foi Marcellus Campelo que, em depoimento a CPI da Covid comprovou que ligou para o ministro general Eduardo Pazuello no mesmo dia 7 de janeiro pedindo ajuda para trazer cilindros de oxigênio para o Amazonas. A resposta do ministro-general da presidência do capitão Messias Bolsonaro não foi o grito patriótico de “Selva!”, mas sim o silêncio da omissão de quem não tá nem aí com a morte de outros seres humanos.

Wilson Lima poderia e deveria ter tido a mesma rapidez que teve em conseguir um habeas corpus, só que no dia 7 de janeiro para correr atrás de oxigênio. Deveria ter se debatido, gritado, lançado um comunicado internacional, usado milhões do Estado pra comprar oxigênio, pedido ajuda nem que fosse para o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, mesmo ele sendo mais um dos alvos do ódio de Messias Bolsonaro – Bom lembrar que foi Maduro quem acabou mandando oxigênio.

Eu bateria palmas para Wilson Lima implorando apoio publicamente para ter oxigênio, denunciando que cidadãos do nosso Estado iam morrer, responsabilizando o Governo Federal por não dar apoio pra trazer oxigênio urgente…Só não podia ter deixado nosso povo morrer asfixiado.

Porém, nessa época Wilson Lima ainda era aliado do presidente Messias Bolsonaro, amigo dos filhos 01 e 03 do presidente (Flavio e Eduardo Bolsonaro). É só lembrar que no dia 11 de janeiro fez evento – tinha até palco e plateia – pra visita do ministro da saúde ao Amazonas e, junto com o prefeito David Almeida (Avante), recebeu ordens do general Pazuello pra entupir nossas UBSs de cloroquina. Mas nada de sequer citar a falta de oxigênio!

Eu ia aplaudir e apoiar qualquer ataque de nervos do Chefe do Executivo do Estado e seu desespero pela falta de oxigênio e, tenho certeza, que muita gente ia partir pra briga junto com Wilson Lima pra salvar o povo do Amazonas. Mas, Wilson Lima optou pelo silêncio, como fez agora quando ia depor na CPI da Covid no Senado Federal. Brigou pra ficar calado. E a ministra Rosa Weber deu a ele um “respirador” (habeas corpus) pra não ficar com falta de ar, enquanto ele não deu direito ao povo do Amazonas sequer de respirar.