“Eu nao sou assassino. Não matei pessoas”, diz pesquisador do AM sobre estudo com cloroquina

 

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O médico Marcus Larceda, um dos responsáveis pelo estudo ‘CloroCovid-19’, realizado em Manaus diante da pandemia do novo coronavírus, manifestou-se em uma rede social após o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurar um procedimento investigativo. Na ocasião, o profissional fez um apelo à população, afirmando que não teve intenção de causar dano à vida de nenhum paciente.

“Eu sou apenas um médico pesquisador que quis estudar opções de tratamento de uma doença nova e grave. Eu não matei pessoas, eu não sou assassino”, publicou o médico no Instagram, ressaltando que durante o estudo buscou atender a todas medidas de segurança médica, testando diferentes doses, evitando a letalidade, mas que não tinha como prever a reação do vírus diante do remédio.

“Nosso estudo Clorocovid-19 em Manaus demonstrou que a cloroquina não mata o vírus nas pessoas. Resistindo a isso, espalharam a notícia de que matamos pacientes com doses altas de cloroquina, de propósito, porque éramos do PT. Eu não sou do PT! Testamos doses diferentes sim, mas nada que fosse obviamente letal. Tivemos todos os cuidados de segurança”, escreveu, remetendo ao período em que o estudo científico envolveu 81 pacientes internados. No percurso, 11 pessoas morreram, despertando a insatisfação da população e questionamentos da comunidade científica.

Depois desses episódios a tranquilidade do profissional teve fim. Centenas de pessoas o acusam de ter causado dano à vida dessas pessoas de propósito.  Sobre isso, Marcos reitera que são apenas calúnias e que já respondeu ao Ministério Público, à revistas científicas e à Comissão Nacional de Ética e pesquisa (Conep), órgão responsável pela aprovação da pesquisa.

“Ontem (23), recebemos mais perguntas do Ministério Público Estadual do Amazonas. Responderemos, como fizemos com os demais. Todos têm o direito de apurar a verdade”, finalizou.

Confira o pronunciamento do médico na íntegra:

Este sou eu, antes de conhecer a humanidade. Faço um apelo a todos: leiam primeiro. Eu sou apenas um médico pesquisador, que quis estudar opções de tratamento de uma doença nova e grave. Eu não matei pessoas, eu não sou assassino. Nosso estudo Clorocovid-19 em Manaus demonstrou que a cloroquina não mata o vírus nas pessoas. Resistindo a isso, espalharam a notícia de que matamos pacientes com doses altas de cloroquina, de propósito, porque éramos do PT. Eu não sou do PT! Testamos doses diferentes sim, mas nada que fosse obviamente letal. Tivemos todos os cuidados de segurança. Depois disso, minha vida passou por calúnias, difamações, ameaças, perseguições políticas. Já respondi a CONEP, Ministério Público Federal de Manaus, Bento Gonçalves, Goiânia, Conselho Federal de Medicina, ouvidorias, e-mails, jornalistas, revistas científicas. É como se me destruir fizesse a cloroquina funcionar. Ela não funciona! Ontem recebemos mais perguntas do Ministério Público Estadual do Amazonas. Responderemos, como fizemos com os demais. Todos têm o direito de apurar a verdade. Aos jornalistas e internautas que pretendem requentar notícias e abastecer com mais desinformação um país já tão abatido, peço que exerçam sua cidadania de outra maneira. Não é bom para a imagem de um estado e de país ter um ‘pesquisador assassino’. Se eu fosse essa pessoa, certamente seríamos um Brasil ainda menor. Acordem hoje e pensem melhor no que estão fazendo com a ciência, com a nossa esperança. A criança da foto não entendia a perversidade do homem. Quem não consegue dar um passo adiante não está preparado para ter aprendido algo com essa pandemia, e acreditem, ela nos modificou a todos.